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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

10
Jan22

Na incerteza dos teus passos


Ana Paula Marques

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Na incerteza dos teus passos, encontro o desalento no meu caminho.

Já não és quem procuro, nem sei se te quero pertencer, ou até mesmo perceber. Perdemo-nos no caminho, e a vida encarregou-se de desenhar o seu percurso, não tão próximo um do outro, como desejaríamos.

Nos breves sussurros que o desalento espalha pelo meu ser, encontro o silêncio que me atenta, e que me afasta daquele que sempre pensei ser o caminho certo.

Mas, haverá caminhos certos? Ou seremos nós que o percorremos que lhe atribuímos a conotação certa ou errada, definindo o que deveria ser o percurso ideal, o caminho perfeito.

Quando tudo perde sentido, até a natureza perde o seu cheiro natural e a nossa vida o aroma do seu encanto. Nos dias cinzentos, que não inspiram nem se desejam, tudo parece vazio e oco.

A lembrança dos momentos em que fomos felizes trazem de novo à mente e ao coração, breves laivos de felicidade, a memória dá brilho a uma luz que já não existe.

Mas quero muito continuar, à semelhança de cada novo dia que amanhece e que ao fim do seu tempo, mansamente, cede o seu lugar a mais uma noite, assim também na nossa vida, cada etapa se supera e ultrapassa.

Perco-me no silêncio dos meus pensamentos, que me embrenham numa nuvem de bem me querer e de alegrias que não existem, mas que eu quero fazer acontecer.

Esta nuvem que me envolve carrega consigo a alegria e a paz, de que preciso, de que precisamos todos, para que pé ante pé, e dia após dia, façamos acontecer aquilo em que acreditamos. Transformar sonhos em realidades e possibilidades ou sonhos em realidade.

Afinal, uma boa dose de confiança, e algumas boas promessas nunca fizeram mal a nenhum de nós.

Fazer acontecer todos os dias é a magia da vida.

O meu sorriso confere encanto a cada novo dia da minha vida. A coragem e força alicerçam o apoio fundamental, para continuar a acreditar que nada é impossível até acontecer.

“Disseram-me que para quem sonha alto a queda é grande. Só que se esqueceram de me perguntar se eu tenho medo de cair.” (Bob Marley)

02
Jan22

Sobre o tema da Fé...


Ana Paula Marques

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Sempre que se fala de fé está garantida a discussão.

É um tema sobre o qual habitualmente não gosto de conversar, nem entre amigos nem socialmente, justamente porque considero que a fé é um assunto de foro íntimo e por isso não se contesta. Pelo que, não se esgrimem argumentos sobre algo que não se explica, não se comprova, apenas se sente.

À semelhança do amor, a fé é um desígnio não científico tem a ver com o que somos e com o entendimento que possuímos da vida e da existência humana. Falamos de sentimentos, emoções e formas de viver e sentir a vida, que não se explicam, experimentam-se (ou não).

Bem sabemos que nem tudo na vida pode ser explicado de forma matemática, científica ou mesmo racional. O que importa aqui é que se reitere o respeito que é necessário existir entre as pessoas, afinal somos todos seres capacitados de competências físicas e psíquicas, e não é razoável estar a fazer sequer juízos de valor.

Respeito, é sem dúvida a palavra de ordem, neste e em qualquer tema, o respeito pelo outro deve ser a primeira condicionante nos relacionamentos humanos.

Porque a Fé pode ser de variadas índoles, há a principal, ou aquela em que todos pensam quando se fala de Fé, que é fé religiosa e à conta da qual ainda se fazem e produziram na história da humanidade, as maiores atrocidades a pessoas inocentes, que não tem qualquer culpa da maldade alheia, e que acabam por ser as maiores vítimas de energúmenos que usam a Fé como recurso para justificar a sua malvadez e crueldade.

Se pensarmos no significado da palavra a Fé percebemos que tem associada a si a segurança, crença, confiança, afinal falamos de um sentimento de absoluto credo em algo ou alguém, sem ser necessário nenhum tipo de evidência que testemunhe a sua veracidade.

Diz-nos a Wikipédia que a (do Latim fide) é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.

Em suma, ter fé é acreditar absolutamente em algo ou alguém, sem ter na sua posse nenhuma prova de que seja verdadeiro ou real o objeto da sua crença. Resulta do termo que vem do grego pi.stis, traduzido por confiança ou firme convencimento.

As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas devem ser sentidas com o coração. (Helen Keller)

Ter Fé em meu entendimento é justamente Acreditar, e ver o universo em volta com os olhos do coração, aqueles que não percebem a maldade em volta e apenas acreditam que todos são puros de coração.

Poderemos acreditar, e ter Fé de que afinal podemos fazer e ser diferentes? Será que temos que provar isto cientificamente? Ou será que não existe porque não é matematicamente explicável, esta coisa de se ter Fé na humanidade, e no seu bom rumo?

28
Jun20

A sociedade que está a ser criada


Ana Paula Marques

 

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Existem situações que espelham realidades comuns em qualquer pais do mundo, este pensamento coloca-nos a seguinte reflexão: que tipo de sociedade está a ser criada atualmente?

Se pensarmos nas palavras de Joseph Stiglitz

“Nada ilustra melhor o que tem acontecido do que o apuro que vivem os que hoje têm vinte e poucos anos. Em vez de iniciarem uma nova vida, cheia de entusiasmo e esperança, muitos deles confrontam-se com um mundo de ansiedade e medo.”

Estas palavras reportam a situação vivida nos EUA, alguma diferença com o que encontramos em Portugal será pura coincidência.

A semelhança destas palavras com o que se ouve nas ruas de Portugal é extraordinária, e este pensamento coloca-nos a seguinte reflexão: que tipo de sociedade está a ser criada atualmente?

Que desafios se colocam na cabeça de um jovem que se aplica e quer ter um futuro brilhante, se cedo percebe que o cenário pode ser mesmo o do desemprego ou o do chamado trabalho temporário e precário? Parece-me que esta é uma realidade transversal ao mundo inteiro, salvo honrosas exceções em que tal não acontece. A esmagadora maioria destes jovens passa por todo esse percurso, de insegurança, de dúvida e até de amargura, desconhecendo o que o futuro lhes reserva.

A sociedade que hoje temos precisa de se encontrar socialmente, reconhecer valores como o da tolerância, da igualdade e da fraternidade, perceber que a maldade e o ódio apenas produzem a divisão e a destruição.

Os conflitos e as divergências, os extremismos que se assumem apenas servem os interesses de quem sobrevive da desordem e da destruição, sim, porque enquanto uns choram outros vendem lenços.

Portugal em tantos anos de história e de um percurso tão enriquecido por imensos feitos que enobreceram a humanidade e o povo português, é a esta altura uma batalha de conflitos, em que nos deixamos envolver pela neblina do esquecimento e alguns de nós se deixam cercar por movimentos e tendências extremistas que não podem ter lugar num pais como o nosso, e que simbolizam uma gigantesca ignorância para com a nossa História.

Somos imensos de Alma, temos na história da nossa existência a única palavra que apenas nós sabemos o sentido: Saudade.

Portugal não é o que vemos nas notícias refletido em atos de vandalismo, que assumem posturas de rotura, completamente disparatadas e que relegam e procuram destruir o que faz parte da nossa história, e que nos ajuda a perceber melhor a nossa identidade, e o que foi feito pelos nossos antepassados.

Algumas das características de Portugal enquanto povo passam por ser elos entre os povos, somos seres solidários, voluntariosos e prontos a “vestir a camisola” para ajudar o próximo. Sabemos dizer: Presente, sempre que faz falta.

Este é o povo português, em território português, mas também fora de fronteiras, onde temos como é do conhecimento geral uma excelente imagem junto dos países que recebem os nossos compatriotas que se viram obrigados a abandonar o seu país natal. Ser português é contribuir para fazer acontecer, ser amigo do amigo, e ser solidário para com os outros.

Jamais poderemos ser um povo que assuma posições extremistas, porque não nos está no sangue. Nos extremos, nada se encontra de positivo, o consenso e a fraternidade serão sempre valores a promover. Eu diria que o extremismo não está na génese de ser português!

Por isso, acredito que Portugal é ainda um país onde se pode promover a igualdade de direitos e de oportunidades, nem sempre é fácil, é verdade que não mas não sabemos da nossa história que as dificuldades fazem parte do caminho, e como se costuma dizer: dos fracos não reza a história. E como tal, sendo nós um povo de brandos costumes, somos também o país dos descobridores do mundo, dos conquistadores, fazedores de novas descobertas, dos criadores de tecnologia de ponta, e de tantas outras coisas fantásticas, somos afinal, portugueses, apenas o melhor Povo do mundo.

22
Mai20

Uma Edição limitada...


Ana Paula Marques

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Não é apenas porque nasci neste espaço temporal, mas de facto os nascidos entre os anos 50 e 80 do século passado, nasceram num tempo que foi responsável por ver desabrochar e ver crescer aquela que foi uma geração de pessoas muito especiais.

Atrever-me-ia mesmo a afirmar que os nascidos neste período pertencem a uma edição limitada de seres humanos, em face das circunstâncias e do espaço temporal em que lhes foi permitido nascer e crescer, e no fundo o que fez de nós seres especiais, importa dizer isso ao mundo.

É bem verdade que o tempo e as circunstâncias foram os nossos maiores aliados, e fizeram de nós esta geração tão especial, afinal quando éramos crianças podíamos andar de patins sem ter de usar joelheiras e/ou capacetes. As manchas negras que por vezes nos apareciam nos joelhos ou nos tornozelos, ou em qualquer outra parte do corpo, não eram fruto de violência, eram apenas o resultado dos nossos processos de aprendizagem, e de quedas e maus jeitos que dávamos quer fosse a aprender a andar de bicicleta, nas corridas com os amigos, ou em milhentas outras brincadeiras.

Uma bênção gigante que esta geração teve, porque podíamos divertir-nos na rua sem a preocupação dos raptos, brincávamos na inocência pura de quem é criança e não consegue perceber maldade em nada, provavelmente porque não estava também tão propagado o medo na sociedade.

O que é facto é que não tínhamos medo de brincar na rua com os amigos, muitas vezes até escurecer, e os nossos pais também não tinham receios dessa natureza, sabiam que estávamos bem.

Não tínhamos qualquer problema em partilhar os nossos brinquedos com os amigos e até de os emprestar para que os levassem para casa e depois nos devolvessem, esta prática perdeu-se no tempo, a verdadeira partilha dos brinquedos e a devolução ao dono no fim do tempo combinado para levar o brinquedo emprestado. Não havia necessidade de portas de proteção blindadas em nossas casas, nem os medicamentos careciam de tampas de proteção de segurança para crianças.

Brincar de pé descalço não fazia mal aos pés, para além de lhes conferir alguma sujidade, era apenas pura brincadeira e contacto real com a terra… nem sequer havia a necessidade de suplementos alimentares para aumento do apetite, quantos de nós criamos os nossos próprios brinquedos como os aviões ou os barcos de papel. E que beleza e simplicidade tinham estes inocentes brinquedos.

É verdade que não existiam portáteis, nem computadores e menos ainda smartphones, mas o que é um facto também é que tínhamos verdadeiros amigos, reais companheiros das brincadeiras e tantas vezes também dos disparates que apenas nas nossas mentes passavam, muitos desses amigos que guardamos para a vida. Quantas histórias para contar.

Não precisávamos de avisar os amigos quando os queríamos visitar, aparecíamos e pronto, não havia essa necessidade, era instituído que se podia aparecer na casa dos amigos para brincar. Avisar? Não era necessário, nós considerávamo-nos parte da família dos nossos amigos, afinal como diz o povo: “os amigos são a família que escolhemos”, certo?

Contudo, também é verdade que aprendemos a ser responsáveis pelas nossas ações, e sobretudo preparados para assumir as consequências de quando errávamos ou estávamos menos bem em determinada situação.

A verdade é que tínhamos a liberdade da responsabilidade, e as oportunidades, que fizeram de nós pessoas de uma grande alma.

Diria mais, nós somos provavelmente a última geração que escutou os seus pais e que se permite ouvir também os seus filhos.

Que não nos esqueçamos de dizer mais vezes “obrigada” e “gosto de ti” que a nossa vida reflita a bênção que tivemos por ter nascido neste tempo em que ainda era tão bonito ser criança, e que o nosso exemplo sirva para ajudar a construir um mundo melhor, mais sublime e mais generoso, tal e qual como a nossa infância foi, harmoniosa e pura.

Somos uma geração incomparável que teve à sua disposição as melhores oportunidades temporais dos últimos anos, e crescemos antes destes tempos de medo, receios e desconfianças, em suma destes tempos que agora vivemos.

30
Mar20

Amigo... é quem torna os nossos dias especiais.


Ana Paula Marques

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Porque os amigos são o melhor de nós e da nossa vida, hoje escrevo a pensar em ti, na importância de te ter encontrado no meu caminho, e na diferença que tens feito nos meus dias.

Nunca te esqueças que és grande, gigante mesmo. E acima de tudo, jamais permitas que te façam sentir diferente.

Semeias no caminho daqueles que acompanham o teu percurso, o perfume e o aroma que apenas os eleitos de Deus possuem, és um ser iluminado cuja luz transcende o horizonte, e nos faz sentir especiais apenas por estar perto de ti, e sabe tão bem estar por perto, acompanhar a tua gargalhada e forma encantada e encantadora como falas connosco.

Nunca permitas que te roubem o sorriso, as pontes e os elos que vais construindo neste percurso da vida, carecem de ser potenciados por quem valoriza a importância de um abraço ou mesmo a ternura de um simples beijo de “bom dia".

Gosto de ti do fundo do meu peito, assim mesmo genuinamente e sem truques na manga. É aquilo a que se chama uma verdadeira amizade. Aquela que se sente numa troca de olhares, ou numa breve conversa entre dentes, e sobretudo na continuidade das relações.

Nunca percas de vista a noção da importância que tens na vida das pessoas que te rodeiam, e do quão essencial és para cada uma delas, contam contigo e gostam de ti por aquilo que és, sem mais e nem porquê, és assim um ser extraordinário.

Que a vida sempre te sorria, e que as tuas estações sejam sempre a primavera dos dias bonitos e felizes, o verão da vida junto daqueles que te amam, com muito calor no sentimento que vos liga, mas que também seja importante a brisa do outono, que nos traz à vida a suavidade dos momentos felizes, e nos permite valorizar e perceber todas as graças com que a vida nos presenteia, são os momentos de recordação e nostalgia que trazem consigo o peso e a beleza das experiências vividas na nossa vida.

E quem te sabe olhar consegue ver-te.

A magia da tua pessoa reside em perceber a simplicidade que colocas em cada gesto, e a disponibilidade que ofereces a quem te procura.

Vieste ter ao meu caminho e seremos para sempre!

 

 

03
Mai19

“Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito” (Pitágoras)


Ana Paula Marques

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Se refletirmos um pouco sobre a organização das cidades e da população que as compõem percebemos que a inclusão nem sempre é inclusiva e a união nem sempre é verdadeira, pelo menos não neste tema.

 

O que acontece é um aparente conciliar de interesses para se mostrar, a quem de direito que tudo está escorreito e afinal somos todos iguais.

No entanto, e se avaliarmos os dados publicados pela OCDE em finais de 2018, no caso de Portugal percebemos que 10% dos portugueses mais ricos têm um rendimento cerca de cinco vezes superior aos 10% mais pobres da população portuguesa. Esta disparidade, de acordo com o mesmo estudo pode resultar das fracas qualificações da população nacional, onde cerca de 55% dos indivíduos não terminou o ensino secundário.

Outra ideia que fica clara neste estudo é a que indicia que quer se queira ou não, a condição económica passa-se inevitavelmente de geração em geração, sendo fácil de perceber que o filho de um pobre terá sempre mais dificuldade em atingir um nível considerado de riqueza em Portugal.

Estes dados ilustram a possível razão pela qual as cidades estão organizadas de uma forma lógica, tal como as conhecemos, se bem analisarmos, existe uma clara separação entre as pessoas e até entre os bairros, basta repararmos nas diferentes áreas da cidade, sempre uma clara separação entre pessoas ricas e pessoas pobres.

Mas apesar de porventura existirem estudos que indiquem o beneficio do convívio entre pessoas de classes sociais distintas, ou seja, pessoas pobres a viverem junto de pessoas ricas …sabemos que não é bem entendido pela sociedade este tipo convívio, que na teoria todos consideram muito salutar, mas que efetivamente os mais abastados preferem não partilhar áreas habitacionais com os que pouco ou nada tem.

E este não é um pensamento estigmatizado, é apenas uma constatação da sociedade hipócrita e cruel em que todos nós, ricos ou pobres vivemos, e onde percebemos que mais do que as palavras bonitas importa ter atitudes altruístas e parar de separar as pessoas de acordo com o seu estatuto social e ou financeiro.

 

 

26
Abr19

“O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.” (Peter Drucker)


Ana Paula Marques

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A palavra comunicar vem do latim communicare, ou seja, “usar em comum, partilhar”, assim quem comunica partilha informação, seja ela de interesse ou não. A comunicação está inevitavelmente associada ao propósito de formar uma ideia sobre algo ou mesmo alguém. Se nos detivermos um pouco mais sobre este conceito de comunicação, entendemos que o seu significado existe desde que o homem vive no planeta terra.

No universo tudo funciona de modo sistemático, o nosso corpo é um perfeito processo de comunicação, basta para tanto pensarmos na ligação que existe em todo o nosso organismo: os diferentes órgãos apenas conseguem funcionar na sua plenitude, se interligados e em plena articulação uns com os outros, por outras palavras: a comunicação é o alicerce fundamental da nossa existência, na verdadeira acessão do termo.

Apesar de por vezes nos apetecer ser, não somos ilhas, somos humanos e não nos é possível subsistir sozinhos, enquanto humanos somos um ser social, e por isso a comunicação é um aspeto inerente à humanidade, à semelhança de outros aspetos que são indissociáveis da nossa condição de humanos.

A necessidade de expressar o que se sente, o que se vê e o que se pensa é uma corrente da comunicação que se assume, apesar de ser por via de diferentes formas, basta para tanto pensarmos nos homens das cavernas, os nossos pré-históricos antecessores já eles próprios tinham as suas formas peculiares de comunicar e de se fazerem entender uns aos outros.

Pena é que não consigamos enquanto seres inteligentes que somos, utilizar a comunicação para na realidade comunicar com os nossos pares e fazer deste planeta um mundo melhor, onde apesar de fazermos prevalecer as nossas opiniões e vontades, fossemos também capazes de verdadeiramente ouvir os outros e o que pensam, para que numa postura de articulação de vontades e de opiniões, apenas por um momento fossemos capazes de pensar no HOMEM e não apenas em nós próprios e no nosso umbigo.

Afinal, a comunicação é mais uma ferramenta que temos e que nos auxilia no nosso desenvolvimento pessoal, bem como no modo como nos relacionamos com o outro, mas que utilidade lhe damos? Conhecemos o conceito e o seu significado, mas percebemos a relevância e importância que a autêntica comunicação poderia ter na vida de todos nós?

Porque comunicar não é apenas passar a mensagem, é também saber escutar e perceber o que o outro tem para nos dizer, conhecemos todos tão bem o circuito da comunicação, mas esquecemos tão rapidamente a importância da reciprocidade do processo, ficando repetidamente a falar sozinhos porque não temos quem nos escute, ou tão simplesmente porque não temos nada de interessante para dizer.

A riqueza da comunicação reside na mais-valia que representa para nós, e para o nosso futuro neste planeta terra, onde por vezes já não percebo muito bem se realmente vivemos ou se andamos muito simplesmente por aqui a cirandar numa feira de vaidades em que mais importante do que comunicar, é fazer bonita figura e falar de modo erudito, não importa se é verdade ou se acrescenta mais valor, mas ajuda a criar um status.

Estamos a inverter o que se entende por comunicação, porque não falamos uns com ou outros, falamos muitos em simultâneo, esquecendo-nos que comunicação não é o mesmo que monólogo.

 

05
Abr19

Uma lágrima de saudade… um momento no tempo perdido na vida e na idade…


Ana Paula Marques

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A saudade é uma tatuagem na alma:

só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.” (Mia Couto)

Por vezes uma lágrima melancólica não resiste e desliza pela face na nostalgia de um momento perdido no tempo da minha vida.

Este mistério que me envolve e acalenta o coração, num misto de dor e perda que aquece a minha alma, não porque passou, mas porque num determinado dia brilhou intensamente e tornou a minha vida mais cintilante.

Na magia daquele momento que recordo, os meus olhos parecem estar mais radiosos, não por estarem felizes, mas porque se sentem de repente completamente inundados de uma água límpida e transparente que transborda em si todas as mágoas de amores não vividos, e experiências não acabadas que nos deixam a sensação de que a vida realmente não aconteceu.

Os momentos de nostalgia e saudade que por vezes nos invadem, e nos transportam para tempos idos de que já quase não conseguimos guardar memória, transformam-se de repente em monstros avassaladores e gigantescos que parecem querer tomar conta de nós e transportar-nos para um tempo que já não existe, a não ser apenas no nosso pensamento.

Esse é um local sagrado, o nosso pensamento, nele se guarda na gaveta da memória do nosso cérebro, o que em determinadas alturas da nossa vida marcou fundo e nos ensinou o que era o amor, a paixão ou mesmo a dor e a vergonha.

São estas vivências que nos caracterizam e nos fazem, a cada um de nós, diferentes de qualquer outro, porque as nossas experiências de vida, são apenas nossas, apesar de poderem ter sido vividas junto de outras pessoas.

O sorriso que aflora nos lábios quando recordamos aquele aperto no coração de quando sentimos o primeiro amor, quando trocamos o primeiro beijo, enfim quando alguém no caminho da nossa vida nos fez sentir que somos completamente únicos e especiais.

As memórias e a nostalgia do passado têm associadas a si a beleza da vida, e consequentemente as maravilhas dos momentos que guardamos apenas para nós, e que escolhemos recordar quando queremos ou quando por exemplo estamos tristes e achamos que já mais nada vale a pena.

Então, importa parar um pouco e deixar que o nosso ser procure em si próprio os momentos em que foi profundamente feliz, e que a memória dessa lembrança traga até nós novamente a magia e o encanto de quando em criança, riamos sem censura, questionávamos sem medo e brincávamos sem receio.

Agora, depois de crescidos, existem certos registos que a sociedade considera não serem próprios dos adultos, porque não fica bem, o que pensarão os outros?

E que importa o que os outros pensam, se vivemos apenas uma vez? E se afinal até nem sabemos quando será o nosso último dia por aqui…

Sempre que eu chore, que seja por recordar memórias saudosas de momentos que me fizeram muito feliz!

25
Fev19

Todas as coisas que dizes - Afinal não são verdade. 


Ana Paula Marques

Mas, se nos fazem felizes - Isso é a felicidade. (Fernando Pessoa)

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A magia da vida reserva-nos esta possibilidade infinita de sermos hoje mais felizes do que ontem. Reside em nós essa capacidade e a vontade de o fazer acontecer.

A cada dia vivido percebo melhor que a felicidade se faz de breves momentos. O segredo reside em saber valorizar esses retalhos de contentamento com que somos presenteados ao longo da nossa vida. O primeiro amor, o primeiro beijo, uma conquista difícil de alcançar, uma simples ação de outra pessoa que nos fez sorrir. Ou apenas um gesto ingénuo e doce de uma criança que cruza o nosso caminho.

O nascimento de um filho, as suas primeiras conquistas, e as seguintes, o simples facto de poder acompanhar a evolução e o crescimento de um ser que faz parte de nós, já seria para mim motivo ultra suficiente para me sentir feliz!

Importa no entanto perceber que não devemos viver para agradar os outros, devemos viver para ser felizes.

A riqueza de uma existência plena não se compadece com olhares indiscretos ou comentários perversos dos outros sobre o que para nós é a felicidade.

É certo que nem sempre o conseguimos fazer, existem ao longo do nosso caminho, os eternos empecilhos que insistem em atrasar a nossa felicidade, e por vezes até nós próprios nos distraímos com aspetos que não tem qualquer importância.

Diz quem sabe que ficamos sábios tarde demais, entenda-se, na medida em que vamos envelhecendo a idade ensina-nos que ficar sábio é perceber a diferença entre o que é verdadeiramente importante e o que é acessório na nossa vida.

Ficar sábio é entender quem verdadeiramente nos acompanha ao longo do caminho, nas dificuldades e nos bons momentos, e quem está ao nosso lado, ou aparece quando lhe é conveniente por esta ou aquela razão.

A vida ensina a perceber o que realmente é importante para nós, ou quem acrescenta valor à nossa existência e consequentemente nos faz mais feliz, no fundo devemos apagar da nossa vida o que não importa e perpetuar o que nos faz felizes.

Com o passar do tempo percebemos melhor a beleza dos bons momentos, o encanto de um sorriso, a magia de um primeiro beijo, as palavras dos enamorados que são ditas no silêncio de olhares que se trocam, e que misteriosamente carregam consigo toda a intensidade de um grande amor.

Estes instantes que podem ser curtos, quando são verdadeiros e intensos, iluminam-nos interiormente como se fossem autênticos holofotes.

A felicidade não tem uma fórmula ou receita, porque afinal o que nos permite ser felizes ou não são as escolhas que vamos fazendo, é o que se apanha e/ou abandona ao longo do nosso percurso de vida.

Como diria um amigo, que a felicidade puxe uma cadeira e se sente ao nosso lado, para sempre!

 

30
Jan19

A multidão das minhas emoções


Ana Paula Marques

A multidão das minhas emoções

“É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.”

(Cesare Pavese)

A possibilidade de verbalizar o que nos vai na alma por via da escrita, deixando que da nossa mente se desfiem os pensamentos, que pelas pontas dos dedos se transformam em palavras, e que se transferem para a folha de papel em branco, é a magia a acontecer.

Escrever é permitir que as palavras e emoções que afloram do nosso pensamento se transformem em vida nova, em histórias fantásticas ou aventuras maravilhosas.

Mas a escrita pode também ser utilizada para comunicar com o mundo, de modo a permitir que o fio de palavras que refletem o que nos vai na alma e no coração, simplesmente promova momentos de partilha, e de harmonia com quem lê as nossas palavras.

Vivemos num mundo excessivamente violento e acelerado, temos necessidade de encontrar espaço para a paz nas nossas vidas, permitir-nos momentos de reflexão e de tranquilidade, onde simplesmente estamos, sem mais nem porquê…

Quer se escrevam textos que nos entretém, ou que nos ensinam, que ajudem a refletir ou a ver determinados temas sob outra perspectiva, ou mesmo artigos humorísticos que permitem ver o lado mais lúdico da vida, a escrita transporta-nos e conduz quem nos lê a um patamar diferente, é quase uma realidade paralela.

Muitas vezes acontece-me escrever simplesmente na esperança de que o que componho seja lido por alguém, ou ainda melhor, que essa escrita acrescente valor a alguém, se isso acontecer, é um gosto que se realiza para quem aprecia escrever.

Porém, nem sempre podemos ou devemos escrever sobre o que nos vai na alma, por variadas razões, nomeadamente porque pode ser muito pessoal, pode ser desinteressante ou então, porque simplesmente não deve ser partilhado.

E escrever é em meu entendimento uma partilha de estados de alma, de experiências de vida, ou apenas pensamentos soltos, que se libertam como um balão deslaçado ao vento sem qualquer intencionalidade ou objetivo.

Há dias em que apetece virar tudo ao contrário, e dizer ao mundo tudo o que vai cá dentro, as revoltas, as angústias, os sofrimentos, as falsidades… sem um pingo de censura ou receio em transmitir o que vai no âmago do ser.

Mas depois penso, já todos temos tantas cargas negativas que nos assolam, tantas preocupações e problemas que nos afastam da beleza da vida, então que aquilo que eu escrevo e partilho com o universo sirva no mínimo, para que quem me lê, pelo menos durante uns breves instantes se abstraia, e consiga estar em harmoniosa sintonia comigo e com o que eu escrevi, num espaço apenas nosso.

O ato de escrever pode ainda ser um ato solitário, em que escrevo apenas para mim, quase em modo de introspeção, registando o que acontece no íntimo do meu ser num momento de privacidade espiritual, que por vezes até permite ostracizar alguns fantasmas, que teimam em permanecer por perto, ensombrando os nossos dias e dificultando a possibilidade de termos uma existência completamente feliz.

Escrever é também brincar com as palavras, e promover enredos em torno do espirito do bem, e de uma tranquilidade que permita uma existência pura, potenciada por uma energia luminosa que propague o ânimo na humanidade, e na ideia de que ainda é possível fazer melhor.

Deixemos que o sol brilhe nas nossas vidas, ilumine os nossos dias e que ternamente continue a ser a luz do universo.

 

 

 

 

 

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