Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

30
Jun21

Solidariedade... o desejo de ir em direção ao outro!


Ana Paula Marques

Artigo n.º 9.jfif

Quando pensamos um pouco sobre a nossa origem enquanto seres humanos, nada é límpido nem linear. Há, contudo, uma questão que é transversal a todos os seres humanos e, ao longo da história, que é a solidariedade. De uma forma ou de outra, de um modo mais genuíno ou nem por isso, já todos fomos solidários ao longo da nossa vida.

Se fizermos uma breve resenha histórica e de acordo com a Wikipédia “Humano é um termo que deriva do latim "homem sábio", ser humano, ser pessoa, gente ou homem, é a única espécie animal de primata bípede do género Homo ainda viva.

Acompanhando esta definição, em termos de síntese histórica poderemos perceber que, daqui pode advir de algum modo a nossa consciência social, apesar de por vezes parecer abandonar-nos enquanto seres humanos, porventura a característica solidária que há em nós terá a sua génese neste conceito, mantendo presente na nossa mente a relevância da solidariedade na existência humana.

Porque afinal, se recordarmos o que aprendemos sobre a formação da raça humana, a humanidade desde sempre se habituou a colaborar entre si, na luta pela sobrevivência, através da caça e da pesca, aprendendo a defender-se a si e aos seus, na luta por uma vida melhor, e assim, apesar do instinto de sobrevivência, a solidariedade foi sempre uma característica que acompanhou o ser humano.

Ainda de acordo com a Wikipédia em temos históricos, a espécie humana “surgiu há cerca de 350 mil anos na região leste da África e adquiriu o comportamento moderno há cerca de 50 mil anos. Entretanto, evidências arqueológicas publicadas em 2017 sugerem que a humanidade pode ter se espalhado por todo o continente africano ainda antes, há cerca de 300 mil anos.”

É por isso muito interessante perceber, de acordo com alguns investigadores desta temática, que nós enquanto elementos desta espécie humana, somos possuidores de um cérebro muitíssimo expandido, possuidor de inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, ou a linguagem, a introspeção e a resolução de problemas complexos. E consequentemente teremos desenvolvidas outras capacidades humanas que nos distinguem, mas que também nos enriquecem enquanto seres humanos.

Afinal, milhões de anos depois, continuamos a colaborar e a manter o espírito de união entre a humanidade, naturalmente salvo algumas exceções. É verdade que talvez não o façamos todos os dias, mas por natureza somos solidários.

Há mesmo quem defenda que esta é uma das nossas melhores características enquanto espécie humana.

A questão que se coloca pode ser a do porquê, por que sentirmos a necessidade de colaborar? O que nos impele a cooperar com os outros? Eu diria que, por vezes é quase indissociável de nós, quase faz parte do ser humano esta faculdade/habilidade que todos temos, ainda que alguns a tenham mais desenvolvida do que outros.

“O desejo de ir em direção ao outro, de se comunicar com ele, ajudá-lo de forma eficiente, faz nascer em nós uma imensa energia e uma grande alegria, sem nenhuma sensação de cansaço.” (Dalai Lama)

Os motivos e as razões por que ajudamos, esses já podem ser variados e discutidos, mas aqui gostava apenas de equacionar ou considerar a boa vontade que existe neste espírito colaborativo, que nos distingue dos restantes habitantes do Planeta, por isso seremos racionais? Ou será que a racionalidade nada tem a ver com a solidariedade?

Eu diria que sim, que a racionalidade nos ajuda a perceber que enquanto sociedade, e consequentemente enquanto indivíduos temos todos muito mais a ganhar, e a evoluir se formos solidários.

A solidariedade pode ser uma das nossas maiores virtudes enquanto seres humanos, de preferência a solidariedade autêntica, a que se pratica sem causar grande alarido, na sombra dos gestos que se escondem na nossa generosidade humana.

Afinal:

“Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos.” (Antoine de Saint-Exupéry)

01
Jun21

Nascemos, vivemos por um momento breve, e morremos!


Ana Paula Marques

AM_nummundoligadoemredeeemqueatecnologiaeliminouba

Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está a mudar este cenário.

- Steve Jobs

O Universo como o conhecemos ligado em rede, resulta da integração económica e cultural que tem vindo a acontecer entre os países ao longo dos últimos anos, dando lugar ao que designamos por globalização, que por seu lado se transformou no motor que promove uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia para o seu subsequente progresso.

Neste globo ligado em rede, claramente a tecnologia eliminou barreiras, quer sejam as que delimitam as fronteiras dos países, as que dividem os povos e culturas ou até mesmo aquelas que são motivadas pela distância física entre as pessoas. Mais do que nunca, a comunicação em rede que procede do desenvolvimento desta tecnologia mostra-se sem falsos moralismos.

Este universo permite que as ligações comerciais, pessoais e até sociais aconteçam quase à velocidade da luz, sem barreiras que as impeçam, basta para tanto que se tenha uma ligação à rede WI-FI ou mesmo por cabo, em suma, basta ligarmo-nos à internet e estamos interligados com o mundo, para o bem e para o mal.

Sabemos bem que o uso da rede comunicacional digital à qual podemos recorrer sempre que quisermos, dado que está sempre ao nosso dispor, nem por isso é factor motivador da uma melhoria da condição social da humanidade em geral. Não existe equivalência de oportunidades para todos os habitantes do planeta, já que este mundo globalizado em que vivemos é mais globalizado para uns do que para outros. Nem todos acedem da mesma forma nem com a mesma intensidade a esta realidade que nos parece a nós tão natural.

Podemos mesmo perguntar se este suprimir de barreiras não vem também retirar outras, nomeadamente as do bom senso, da liberdade de expressão e até do tratamento mais cordial entre as pessoas.

Esta é a geração que continua a acreditar que mais importante do que aquilo se assevera, é ter uma opinião formada sobre todo e qualquer assunto – seja desporto, politica ou até mesmo religião e então se for direitos dos animais, vem toda uma panóplia de “comentadores” em defesa sabe Deus do quê, mas o que importa é “saltar” para a rede e lançar ataques em todas as frentes, nomeadamente a quem se atrever a criticar o que quer que seja, não sendo a contento da opinião emitida.

E viva a democracia! Ou devo dizer “Viva a anarquia”?

A ética tem vindo a perder valor no mundo digital, ninguém já se questiona se fazer isto ou aquilo é ético ou não. O que se quer é fazer valer a opinião ou mesmo vender qualquer produto ou artigo. Sempre com o foco no fim, no objetivo, pouco importam os meios, ou mesmo quem ficou pelo caminho para que determinado objetivo seja alcançado.

No cosmos em rede, poucos se preocupam com a ética. Em abono da verdade, a ética ou a falta dela é ditada por quem a utiliza a seu belo contento e a adapta de acordo com os seus interesses.

O princípio ético fundamental deverá sempre assentar no pressuposto de que a pessoa e a comunidade em que ela se insere é sempre a finalidade e a medida a ser usada pelos meios de comunicação, que funcionam em rede, apenas assim a comunicação de pessoa para pessoa pode promover na íntegra o desenvolvimento dos sujeitos.

Necessariamente todos sabem que o bem de cada pessoa depende do bem comum da comunidade em que se insere, pelo que um dos aspetos basilares em que a ética da comunicação em rede deverá assentar será a forma inclusiva em que uma série de propostas são colocadas aos elementos da respetiva comunidade, havendo o entendimento conjunto da mesma em defender e levar a efeito as referidas propostas.

Porém, como todos sabemos, no universo em rede, tudo é apresentado, discutido e decidido rapidamente em face da velocidade a que tudo acontece neste domínio, por vezes não há o tempo suficiente para pensar em detalhes, ou maturar aspetos como por exemplo, a questão da ética.

É certo que a famosa globalização que transformou o nosso mundo, também promoveu para muitos a permanência na margem do caminho da mesma globalização, longe do progresso e de todas as inevitáveis melhorias que trouxe consigo.

Afinal, a Internet e o mundo em rede podem ser um motor fundamental para o crescimento intelectual da população promovendo até uma eventual compreensão entre as diferentes nações e povos do mundo.

Importa não descuidar a privacidade dos sujeitos e dos grupos que frequentam o mundo em rede, acautelando a inevitável divisão digital entre pessoas separadas por ideologias políticas, raciais ou até étnicas.

Este instrumento com um tão grande potencial como é a internet seria suposto servir de união entre as pessoas, e não permitir que se transformasse o mundo online num cenário de verdadeiro conflito internacional, como por vezes acontece.

Seria quase perfeito este universo digital em que nos entranhamos todos os dias se a ética neste contexto permitisse que as tecnologias fossem solucionadoras ou facilitadoras da resolução dos problemas humanos, num mundo orientado para a justiça, para o bem do próximo ou mesmo para o real progresso de todos!

Mais sobre mim

Pesquisar