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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

21
Abr21

Amar é admirar com o coração


Ana Paula Marques

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O tema do amor aparece na nossa sociedade como um tópico quase banal, e fala-se de um sentimento tão imenso como o amor, como se fala de qualquer assunto quase reles e sem importância.

Amar é muito mais do que qualquer palavra que se possa dizer, ou escrever... Amar é sentir a pele do outro como sendo a nossa própria, é mesmo um confundir de respirações que se fazem em conjunto.

Como diria Theophile Gautier:

Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro”.

Esta é uma dicotomia que não é fácil de se conseguir, e porventura não está ao alcance de qualquer pessoa.

Amar é uma bênção que é conferida apenas a alguns, nem todos têm essa magnitude de sentimento, de emoção. Não ama quem quer, nem se ama quem nos interessa.

O coração nestas coisas do amor é completamente autónomo e independente, e não nos pede opinião, nem se questiona sobre se é melhor ou pior para nós amar esta ou aquela pessoa.

Somos atingidos por uma suposta seta imaginária que nos inflama o coração e nos liga de um modo privado, e impensado a uma determinada pessoa, não escolhemos o amor, é o amor que nos escolhe a nós, e nos envolve nos laços das suas aventuras e desventuras que tornam a vida tão mais interessante e o mundo de repente tão menos importante.

A vida circunscreve-se e tudo entra num plano paralelo em que apenas nós existimos, e quase conseguimos imaginar um mundo ideal em que poderíamos ser felizes apenas nós e o nosso amor…

No entanto, amar é muito mais do que o querer estar perto, é aceitar a distância se for para realizar os sonhos do outro, sem queixumes nem lamentações. Amar alguém é aceitar que cresça e que viva os seus sonhos, porque se ele está feliz, eu que o amo também estou.

Esta tem que ser uma realidade sem falsidades nem hipocrisia, o amor é puro e verdadeiro, e tem que se sentir dentro do peito, que se entristece se o outro está triste e que bate mais forte e acelera de alegria se o outro está feliz e animado.

Mesmo que milhares de quilómetros os separem fisicamente, o coração jamais pára de saltitar sempre que pensamos no outro.

Amar é sentir-se feliz ao ouvir a simples expressão “está tudo bem”, é o estar presente na sintonia dos sonhos, que mesmo sendo diferentes, se fundem e confundem na harmonia do querer estar junto, e fazer euritmia e uniformidade, amor é união, sem egoísmos nem sentidos de posse, Amar é ser livre na atitude de ter o outro sempre connosco, sem nunca o possuir verdadeiramente.

O grande magnetismo da alma ensina-nos que o amor uno, se vive na diversidade do sentimento que cada um tem, sem estigmas nem escolhas.

12
Abr21

Pensamentos soltos, com sentido ou consentidos?


Ana Paula Marques

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Perdida num tempo que não tem horas, oscilo entre o antes e o depois, numa maré que me ondula por caminhos que não conheço, mas que também não me são estranhos.

Deixo que o tempo me guie por um trilho que pode ser tudo ou nada, pode ser vida ou a falta dela, há momentos em que é importante simplesmente deixar-nos ir, sem grandes questões ou duvidas, ir apenas por ir, sem razão e sem porquê.

A vida é demasiado dura, e séria para ser vivida sempre da mesma forma. Sufoco nas horas do dia que me submergem para o fundo de uma agonia que não tem explicação.

Sofro, porque sim e porque não, apenas por duas razões, mas são o suficiente para me desalentar e fazer perder o sorriso.

Cansada deste ritmo que apenas nos empurra para a frente, em que nos esquecemos de viver, e vamos simplesmente passando por entre os dias.

Cedo ou tarde vamos aprender que tudo passa, tudo menos o que é importante, porque o que é importante prevalece, na realidade ou na nossa memória.

O regresso aos dias da infância é por vezes o bálsamo tão necessário à continuidade de uma vida “saudável”, emocionalmente falando, escasseia o tempo, aquele do relógio que nos condiciona e oprime nas ações, porque nunca há tempo, porque não é possível, enfim, a culpa não é nossa é do tempo que escasseia.

Ou será que a culpa é efetivamente nossa? Há momentos em que paro um pouco a pensar naqueles que mudaram toda a sua vida para ser felizes, será que é preciso mudar tudo para ser feliz? Porque não podemos nós ser felizes com o que somos e temos? Que espécie é esta nossa raça humana, que nunca está contente com nada, e pouca coisa nos satisfaz?

O deambular dos pensamentos permite por vezes arrumar as ideias, e articular melhor o que fazer daqui a pouco, mas é precisa a disciplina, para que o façamos de uma forma realmente sã, que não nos deixe envolver pelos nossos múltiplos afazeres e consequentemente deles fazer uma desculpa para tudo e para nada.

Somos quem tem responsabilidade da nossa vida e com o que dela fazemos, é um dos melhores presentes que a idade nos confere, a serenidade de perceber quando devemos ou queremos ir ou fazer o que quer que seja. Perdidas no tempo, as inseguranças do que pode ser bem visto ou bem entendido, li algures que depois dos 40 as mulheres (pelo menos a maioria delas) começam a ter a maturidade de aceitar ou fazer apenas o que lhes dá mais gozo.

E é essa a aprendizagem que eu tenho que fazer, aprender a dividir espaços e áreas, emocionais, profissionais e até socias, no entanto, sem nunca esquecer o meu tempo e o meu espaço, para me ouvir, para estar apenas sozinha, no fundo para poder disfrutar da minha companhia. Se não estivermos bem connosco próprios nunca estaremos bem com os outros.

E acredito que esse é um dos grandes motivos da sociedade inquieta, egoísta e revoltada que temos, a falta de tempo e espaço, para que cada um se escute e se compreenda antes de mais, a si próprio apenas, depois disso estará preparado para a vida em sociedade.

02
Abr21

Tempo de Páscoa


Ana Paula Marques

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O período da Páscoa simboliza para os cristãos, como eu também me sinto, um tempo de reflexão, de paragem e até mesmo de introspeção sobre aquele que é, o real significado ou a pertinência da nossa vida!

Quem conhece a história da vida de Cristo conhece também todo o processo de violência que está associado a ela, mas entenderá que o final é apenas o único que poderia ser, o da paz e o da vitória do bem sobre o mal.

Mas pelo meio, muito sofrimento ocorreu, como em muitas das nossa vidas, naturalmente, mas acredito que nenhum sofrimento terá sido tão atroz como o de Cristo neste episódio que nestes dias se assinala.

Crente em Jesus e temente a Deus como sou padeço com este sofrimento, mas percebo também que se tivesse sucedido hoje ao invés de no passado, iria ocorrer exatamente tudo como sucedeu, se não ainda um pouco pior. Com o tempo o ser humano tem apurado o seu instituto de malvadez e truques maliciosos, sabendo ferir o outro no seu mais profundo íntimo.

Por muito que procure entender o porquê de os homens, o poder, a religião e a restante sociedade à época terem sido assim tão cruéis para com Jesus, nunca o conseguirei perceber verdadeiramente, porque é demasiado cruel para ser sentido por Alguém que ainda que sendo o Filho de Deus,  e podendo ter-se dispensado de tais torturas, ofereceu o Seu sofrimento por nós.

A cada Páscoa o meu pensamento foca-se muito particularmente neste sofrimento de Jesus, que Ele me inspire a cada hora menos boa da vida, a perceber que nada sofro em face dos maldades que lhe foram flageladas e doí-me só de imaginar a dureza daqueles pregos a fixá-lo a uma cruz que não tinha que ser Dele, mas que o foi para podermos ter ali o testemunho do Amor de Deus a todos e a cada um de nós, até mesmo, e eu diria particularmente, àqueles que Nele não acreditam.  Os que blasfemam, reclamam, insultam e ofendem a Deus, mas na hora da verdade, aquela a que todos um dia chegaremos, se não antes, perceberão que sempre estiveram iludidos.

Por isso fomos todos criados com o livre arbítrio de poder escolher, se é certo ou errado, se acreditamos ou não, não importa agora julgar porque afinal ninguém tem esse direito.

Eu acredito, mas respeito naturalmente os que não acreditam, porque como eu costumo dizer, cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

Aos que acreditam, que este período de reflexão nos ajude a ser melhores pessoas, mais justas e mais defensoras do bem no mundo inteiro. Sobretudo a nunca deixar de acreditar no Amor.

Aos que não acreditam, naturalmente a assunção ao direito de simplesmente terem a livre escolha de não o fazer, não acreditar em Deus, mas ainda assim sejam pessoas integras, atentas a quem mais precisa de ajuda, observadoras dos valores que movem uma sociedade justa e humana, serão com certeza uma parte também valiosa da nossa sociedade.

Um Feliz e Santa Páscoa a todos!

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