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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

28
Abr20

Viajar sem destino...


Ana Paula Marques

AM_19042020.jpgHoje apeteceu-me sair e partir sem destino, livre e sem censura.

Quero viajar pelo universo que conheço, e que me espera e ampara de braços abertos.

E assim começa a minha viagem. Despertei com a sensação de bem estar com a vida, o que me motivou. Já que fisicamente não posso ir muito longe, então que a minha imaginação voe por onde muito bem me apetecer.

Sigo sem direção, persigo apenas porque sim, e porque me apetece. Afinal, viajar em sonho é uma capacidade que a todos pode assistir, e neste momento é essa a minha vontade, viajar por locais onde já fui muito feliz e até mesmo por outros, que apesar de não conhecer, me permitem a sensação de felicidade.

Aquela sensação que temos quando vamos de férias, e pensamos: “que bom, agora durante uma semana, não terei mais preocupações do que descobrir e desfrutar um determinado local”.

Hoje o sol que brilha lá fora e que nos alenta a todos, a nós simples humanos e ao universo por completo, chamou por mim. E despertou-me a força e a vontade de partir sem destino certo, apenas com a firmeza e o ensejo de fazer o meu coração feliz, a tal ponto que essa felicidade transborde e se reflita no meu olhar, ou mesmo no singelo sorriso que os meus lábios esboçam enquanto viajo, mantendo-se quando depois recordo e aprecio os momentos vividos.

E assim me ausento e passeio por uma praia semi-deserta, onde apenas uma pessoa aqui e outra acolá vagueiam pelo areal onde também eu passeio à beira mar. As ondas que me vem cair aos pés trocam carinhos macios com a minha pele. É assim o poder do mar, arrebatador e capaz de me fazer esquecer tudo, bem, se calhar quase tudo.

Neste meu passeio à beira mar apenas eu e a minha companhia, aquela com quem convivo todos os dias e que me abraça nos momentos de maior dor, mas com quem também troco fortes gargalhadas em situações de brincadeira e descontracção.

Sigo... eu comigo própria. Sem me esconder de ninguém, mas refugiada no conforto do carinho que apenas nós conseguimos oferecer a nós próprios, assim avanço pela areia húmida da praia, sem pressas e sem tempo.

Vagueio sob um sol retemperador que me recarrega as energias, e que me transmite uma renovada coragem para abraçar os desafios que sei que ainda me esperam.

A brisa do mar sussurra-me ao ouvido palavras doces e de carinho, que me acalentam o ânimo e me fazem sentir que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, e a minha não é pequena.

Como dizia o Fernando Pessoa:

Tenho em mim todos os sonhos do mundo.

E é completamente verdade, tenho eu e temos todos, assim permitamos que os sonhos ganhem força e dimensão para poder fazer acontecer.

A nossa resistência interior é gigante e só lhe conhecemos a verdadeira dimensão quando somos colocados à prova, ou perante situações verdadeiramente desconfortáveis. É nestes momentos que o nosso verdadeiro eu sobressai, e mostra o que de melhor temos para dar aos outros.

Esta praia onde eu caminho é uma praia que eu não conheço, e que agora observo com o olhar, e aprecio cada centímetro de areia e de mar, tanto quanto os meus olhos conseguem alcançar. E esta sensação de paz e de bem estar, faz-me sentir grata apenas pelo facto de estar viva!

Esta praia por onde caminho é o futuro, que ainda não conheço, mas que a minha  confiança permitirá vencer e conquistar!

23
Abr20

Vamos abrandar a velocidade?


Ana Paula Marques

AM_29032020_destaque.jpg

 

O mundo evolui a uma velocidade quase vertiginosa, podemos mesmo afirmar que o futuro já não é amanhã, o futuro é já hoje. O que há pouco era novidade, deixou, entretanto, de o ser porque em outro qualquer lugar do mundo já se desenvolveram estudos, ou mesmo investigações que já transformaram em passado, quase mesmo ultrapassado, aquilo que ainda há pouco era uma novidade.

É assim assustadoramente que a vida corre por nós sem pedir licença, nem reduzir velocidade para que a possamos apreciar.

A pergunta que se impõe é: Que sociedade estamos a construir para nós? De que modo conseguimos formar e amadurecer seres humanos conscientes e de valor, se a este ritmo tão assustadoramente rápido mal conseguimos viver?

Não seria de bom tom para a nossa sociedade abrandar a velocidade, e permitir que ao desacelerar pudéssemos aprender com o que tem vindo a ser feito de bom e porventura apurar aqui ou ali alguns (bastantes diria eu) aspetos da vida em sociedade de acordo com o que os entendidos na área estudam e defendem?

Se analisarmos o ponto de vista da ética das relações, sabemos bem que respeitar pode significar “pensar no outro” antes de tomar qualquer atitude. Teremos nós o cuidado de: olhar e pensar mais do que uma vez antes de falar, ofender ou criticar?

A vida em sociedade deverá atentar estes valores, como o da tolerância que devemos ter para com os outros, nem todos tem que pensar do mesmo modo que nós. E por isso importa respeitar todos de igual modo, no âmbito dos seus universos, que podem ser completamente distintos dos nossos.

Se pensarmos na história da humanidade que conhecemos, percebemos facilmente que a evolução nunca foi tão violenta, rápida, e ampla como acontece nestes nossos dias.

O modo como podemos aceder à informação é quase ilimitado, e a cada dia temos uma nova oportunidade de estarmos mais atentos no que diz respeito à diversidade das realidades de todo o mundo.

Logo, este pensamento deveria emergir em nós mais empatia para que promovêssemos a busca pelo conhecimento e a chamada evolução tecnológica e digital como um bem comum, ao serviço de toda a humanidade.

No entanto, nem sempre assim acontece. Se pensarmos no que consideramos como mais pertinente para a nossa vida, egoisticamente vamos pensar no nosso conforto e bem estar. Depois vêm os outros, depois de nós. Até podemos ser muito teóricos sobre o tema, e tecermos muitas considerações sobre a importância de sermos uns para os outros. Mas na hora da verdade, o egoísmo acabará sempre por falar mais alto, e escolhemo-nos a nós. Serão raras as honrosas exceções.

Que caminho é este que a nossa sociedade está a percorrer?

Eu acredito, e espero que nada volte a ser como antes, depois deste período que vivemos e continuaremos a viver, não sabemos bem por quanto mais tempo.

Eu quero acreditar que a sociedade que sairá vencedora desta guerra que agora trava, será uma sociedade mais justa e mais tolerante. Espero ainda que seja uma sociedade verdadeiramente preocupada com o próximo, se não mais, pelo menos tanto como consigo própria.

São tempos de esperança e luz que nos esperam, em que já com a lição aprendida poderemos ser todos mais felizes porque finalmente percebemos que nossa felicidade, a que é real, passa necessariamente pela felicidade daqueles que me rodeiam, só serei verdadeiramente feliz quando todos em minha volta foram também felizes!

“Já que eu sou imperfeito e preciso da tolerância e da bondade dos demais, também tenho de tolerar os defeitos do mundo até que possa encontrar o segredo que me permita remediá-lo.”

Mahtma Gandhi

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