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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

26
Abr19

“O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.” (Peter Drucker)


Ana Paula Marques

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A palavra comunicar vem do latim communicare, ou seja, “usar em comum, partilhar”, assim quem comunica partilha informação, seja ela de interesse ou não. A comunicação está inevitavelmente associada ao propósito de formar uma ideia sobre algo ou mesmo alguém. Se nos detivermos um pouco mais sobre este conceito de comunicação, entendemos que o seu significado existe desde que o homem vive no planeta terra.

No universo tudo funciona de modo sistemático, o nosso corpo é um perfeito processo de comunicação, basta para tanto pensarmos na ligação que existe em todo o nosso organismo: os diferentes órgãos apenas conseguem funcionar na sua plenitude, se interligados e em plena articulação uns com os outros, por outras palavras: a comunicação é o alicerce fundamental da nossa existência, na verdadeira acessão do termo.

Apesar de por vezes nos apetecer ser, não somos ilhas, somos humanos e não nos é possível subsistir sozinhos, enquanto humanos somos um ser social, e por isso a comunicação é um aspeto inerente à humanidade, à semelhança de outros aspetos que são indissociáveis da nossa condição de humanos.

A necessidade de expressar o que se sente, o que se vê e o que se pensa é uma corrente da comunicação que se assume, apesar de ser por via de diferentes formas, basta para tanto pensarmos nos homens das cavernas, os nossos pré-históricos antecessores já eles próprios tinham as suas formas peculiares de comunicar e de se fazerem entender uns aos outros.

Pena é que não consigamos enquanto seres inteligentes que somos, utilizar a comunicação para na realidade comunicar com os nossos pares e fazer deste planeta um mundo melhor, onde apesar de fazermos prevalecer as nossas opiniões e vontades, fossemos também capazes de verdadeiramente ouvir os outros e o que pensam, para que numa postura de articulação de vontades e de opiniões, apenas por um momento fossemos capazes de pensar no HOMEM e não apenas em nós próprios e no nosso umbigo.

Afinal, a comunicação é mais uma ferramenta que temos e que nos auxilia no nosso desenvolvimento pessoal, bem como no modo como nos relacionamos com o outro, mas que utilidade lhe damos? Conhecemos o conceito e o seu significado, mas percebemos a relevância e importância que a autêntica comunicação poderia ter na vida de todos nós?

Porque comunicar não é apenas passar a mensagem, é também saber escutar e perceber o que o outro tem para nos dizer, conhecemos todos tão bem o circuito da comunicação, mas esquecemos tão rapidamente a importância da reciprocidade do processo, ficando repetidamente a falar sozinhos porque não temos quem nos escute, ou tão simplesmente porque não temos nada de interessante para dizer.

A riqueza da comunicação reside na mais-valia que representa para nós, e para o nosso futuro neste planeta terra, onde por vezes já não percebo muito bem se realmente vivemos ou se andamos muito simplesmente por aqui a cirandar numa feira de vaidades em que mais importante do que comunicar, é fazer bonita figura e falar de modo erudito, não importa se é verdade ou se acrescenta mais valor, mas ajuda a criar um status.

Estamos a inverter o que se entende por comunicação, porque não falamos uns com ou outros, falamos muitos em simultâneo, esquecendo-nos que comunicação não é o mesmo que monólogo.

 

22
Abr19

A felicidade humana caminha para um mundo virtual ...


Ana Paula Marques

... no entanto o universo virtual nunca saberá o que é calor humano.

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Inevitavelmente somos obrigados a aceitar e a participar neste mundo de redes sociais que nos enlaça num manto acetinado de aparente conforto, que pouco a pouco nos aprisiona sem que percebamos muito bem como. Este pseudo mundo onde um post e os seus likes, tem mais importância do que uma conversa frente a frente, é assustador porque reflete a realidade com a qual somos obrigados a conviver, nós, os nossos amigos e familiares.

 

Apesar disso, as melhores ideias e os momentos mais importantes nas nossas vidas ainda são aqueles que se vivem numa conversa cara a cara, num encontro de olhares que se entendem ou se gladiam numa animada troca de ideias e opiniões, mas sobretudo onde existe muito sentimento e humanidade. Afinal, apenas o reflexo da fragilidade de que somos feitos, enquanto seres humanos, nem mais nem menos.

 

A pergunta que se coloca é: Que conversas mudaram este mundo em vivemos? Tão envolvidos estamos nas nossas rotinas que nos deixamos embrenhar pelos formadores de opinião, que com os seus argumentos nos embrenham nesta envolvência do chamado “faz de conta”, que de repente se transforma em realidade, pura e dura.

 

E assim, inevitavelmente estes opion makers influenciam a grande maioria do comum dos mortais, que na ausência de vontade própria em agir fora do que é convencional, e na busca da manutenção dos costumes e hábitos de convívio interpessoal, acabam por se deixar conduzir na onda tecnológica ou digital que nos avassalou nestes últimos anos, e nos fez esquecer o quão importante é o contacto e o calor humano, na nossa vivência diária.

 

Aquela fraqueza humana de querer sempre ir mais longe, fazer mais e se possível fazer melhor do que o outro. Enfim, a nossa debilidade humana, na sua melhor faceta competitiva tirou as nossas crianças das brincadeiras de rua que zelosamente se guardariam nas saudosas memórias de infância.

 

Agora restam às nossas crianças as brincadeiras com os smartphones e tablets topo de gama, últimos modelos a sair numa regularidade assustadora, que nos leva a pensar quando e como é que toda esta loucura terminará, e pior onde nos levará a nós e aos nossos filhos.

 

Se é bem verdade que este universo dos smartphones e da comunicação digital é muito necessário para o nosso desenvolvimento, também é bem verdade que perdemos a envolvência do convívio humano e deixamo-nos arrastar por quem domina o mundo e ainda que indiretamente condiciona as nossas vidas e até mesmo a nossa forma de pensar, de ver o mundo e até mesmo de viver as nossas vidas.

05
Abr19

Uma lágrima de saudade… um momento no tempo perdido na vida e na idade…


Ana Paula Marques

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A saudade é uma tatuagem na alma:

só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.” (Mia Couto)

Por vezes uma lágrima melancólica não resiste e desliza pela face na nostalgia de um momento perdido no tempo da minha vida.

Este mistério que me envolve e acalenta o coração, num misto de dor e perda que aquece a minha alma, não porque passou, mas porque num determinado dia brilhou intensamente e tornou a minha vida mais cintilante.

Na magia daquele momento que recordo, os meus olhos parecem estar mais radiosos, não por estarem felizes, mas porque se sentem de repente completamente inundados de uma água límpida e transparente que transborda em si todas as mágoas de amores não vividos, e experiências não acabadas que nos deixam a sensação de que a vida realmente não aconteceu.

Os momentos de nostalgia e saudade que por vezes nos invadem, e nos transportam para tempos idos de que já quase não conseguimos guardar memória, transformam-se de repente em monstros avassaladores e gigantescos que parecem querer tomar conta de nós e transportar-nos para um tempo que já não existe, a não ser apenas no nosso pensamento.

Esse é um local sagrado, o nosso pensamento, nele se guarda na gaveta da memória do nosso cérebro, o que em determinadas alturas da nossa vida marcou fundo e nos ensinou o que era o amor, a paixão ou mesmo a dor e a vergonha.

São estas vivências que nos caracterizam e nos fazem, a cada um de nós, diferentes de qualquer outro, porque as nossas experiências de vida, são apenas nossas, apesar de poderem ter sido vividas junto de outras pessoas.

O sorriso que aflora nos lábios quando recordamos aquele aperto no coração de quando sentimos o primeiro amor, quando trocamos o primeiro beijo, enfim quando alguém no caminho da nossa vida nos fez sentir que somos completamente únicos e especiais.

As memórias e a nostalgia do passado têm associadas a si a beleza da vida, e consequentemente as maravilhas dos momentos que guardamos apenas para nós, e que escolhemos recordar quando queremos ou quando por exemplo estamos tristes e achamos que já mais nada vale a pena.

Então, importa parar um pouco e deixar que o nosso ser procure em si próprio os momentos em que foi profundamente feliz, e que a memória dessa lembrança traga até nós novamente a magia e o encanto de quando em criança, riamos sem censura, questionávamos sem medo e brincávamos sem receio.

Agora, depois de crescidos, existem certos registos que a sociedade considera não serem próprios dos adultos, porque não fica bem, o que pensarão os outros?

E que importa o que os outros pensam, se vivemos apenas uma vez? E se afinal até nem sabemos quando será o nosso último dia por aqui…

Sempre que eu chore, que seja por recordar memórias saudosas de momentos que me fizeram muito feliz!

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