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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

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Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

12
Mar19

Violência ou maldade?


Ana Paula Marques

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É assustadora a dimensão da violência doméstica em Portugal resultado sobretudo da indiferença com que todos nós, sociedade, acabamos por tratar esta questão sem perceber ou avaliar o que está por detrás destes números que aumentam assustadoramente, e sem esquecer que estes crimes acontecem em autênticos cenários de horror.

Lembremos a definição de violência doméstica segundo a Wikipédia: é um padrão de comportamento que envolve violência ou outro tipo de abuso, por parte de uma pessoa contra outra num contexto doméstico, como no caso de um casamento ou união de facto, ou contra crianças ou idosos.

Que me desculpem mas violência doméstica tem uma abrangência muito mais vasta: é falta de respeito, de consideração, de amor-próprio e sobretudo maldade e cobardia por parte de quem a pratica.

É a total ausência de valores, de afeto, de amor, compaixão e humildade que arruína quem pratica a violência doméstica. Porque se os valores lá tivessem sido plantados e acalentados, não permitiriam de modo nenhum a prática destes atos infames, violentos e malvados.

O estudo profundo das situações de violência é uma tarefa ingrata, mas que importa ser feita, de certeza mais importante do que esmiuçar intrigas e discussões, explorando o que se diz sobre o que aconteceu, em suma, dar ouvidos a quem pouco sabe sobre o assunto, e desvalorizando o que realmente esteve na origem do cenário da violência doméstica.

Este é para mim o trabalho mais difícil de se fazer, mas que importa ser feito para se começar a disseminar esta maldição que se abateu sobre a nossa sociedade. Porque ficar indignado, criticar e proferir algumas ofensas contra quem pratica tão terríveis atos é fácil. Difícil é ir a montante fazer um trabalho estrutural que analise o que pode estar escondido em cada situação.

E nesta análise não é tão relevante perceber se houve traição, ou o que quer que seja que provocou o mal-estar, importa perceber a razão pela qual o criminoso não encontrou outras alternativas para sair daquela situação. Porque não abandonou a pessoa, porque não ignorou o assunto, ou porque não tentou entender?

Em suma, o que leva as pessoas a ter como única solução para todos os seus males? A violência. Por que razão é sempre a resposta mais fácil? Parece que esta é sempre a única resposta. Não faz sentido, e é aqui que nos devemos deter: perceber a razão que leva quem pratica a violência doméstica a não encontrar qualquer outra saída que não seja esta, a violência.

Claramente a forma gratuita como a mesma é praticada tem que ter uma explicação sociológica que a justifique.

O modo de vida descartável dos tempos de hoje pode ser um dos grandes causadoras desta malvada realidade que permite se assassinem tantos seres em Portugal, nomeadamente mulheres que são arrancadas da vida sem qualquer razão aparente.

A cobardia por vezes é tanta, que não conseguindo aceitar o que acabou de fazer o “herói” termina em seguida com a sua própria vida, depois de ter matado a mãe ou a filha de alguém…

A sociedade e nomeadamente quem tutela em Portugal estas questões deve ao País uma intervenção gigante na procura da resolução desta grave questão. Se é verdade que os designados gestos “simbólicos” são importantes, não é menos verdade que estes têm que ser precedidos de implementações práticas que promovam a procura da solução para este massacre que ameaça tomar conta da sociedade mundial.

Em suma e como dizia John Lennon:

“Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.”

 

 

04
Mar19

A confiança é um acto de fé...


Ana Paula Marques

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... e esta dispensa raciocínio. (Carlos Drummond de Andrade)

Não podem existir relações se não existir confiança, quer queiramos quer não, este é o alicerce que serve de base a qualquer relacionamento que se estabeleça entre pessoas. Mas a questão que se impõe é a seguinte: No mundo em que vivemos, com tanta competição entre nós, ainda será possível confiar em alguém?

Parece-me óbvia a resposta, é sempre viável confiar, desde que percebamos que a pessoa a quem oferecemos a nossa confiança é fiel merecedora da mesma, e nós igualmente dignos que deposite em nós a sua confiança.

A confiança não se compra nem se vende, é daqueles valores que se conquistam ou que se merecem na vida, por parte das pessoas com quem nos relacionamos.

No mundo em que vivemos continua, creio eu, a ser possível confiar nas pessoas. Naturalmente não poderemos confiar desmedidamente ou sem qualquer tipo de filtro, ou seja, importa perceber os sinais dos nossos interlocutores e sobretudo ficar atento à nossa envolvência.

Mas eu acredito que sim, que continua a ser possível confiar em quem nos rodeia, no entanto alerto que eu sou uma sonhadora compulsiva que acredita num mundo perfeito em que todos podem viver em paz, de forma harmoniosa e sem as eternas competições que nos afastam e nos dividem, por vezes até de bons amigos.

Acredito que a confiança é algo capaz de se construir hoje em dia… obviamente sem esquecer que para se confiar nos nossos pares, seja no domínio pessoal, seja no domínio profissional, este valor da segurança e firmeza no outro terá que ser recíproco.

Sabemos bem que as pessoas que amamos são aquelas em quem mais confiamos, mas é certo que estas pessoas que têm o condão de nos “levar ao céu”, também nos podem arrasar por completo através das suas atitudes ou palavras, que podem afligir o nosso coração e calcar tão fundo na nossa alma.

Como diria Ernest Hemingway “A melhor forma de saber se você pode confiar em alguém é oferecendo primeiro a sua confiança”.

Uma relação de confiança não implica ter que “saber tudo” sobre aquele em quem confiamos e que confia em nós, aliás quem confia não necessita de explicações.

Importa pois lembrar que o nosso cérebro precisa simplificar e viver a sua rotina diária sem riscos, e o que é isso? Pois significa encontrar um equilíbrio emocional apropriado, onde a confiança seja o melhor emblema que possamos mostrar aos outros, estabelecendo relações de confiança e seguindo sempre na dianteira disponibilizando a nossa confiança ao outro para que possamos viver perfeitamente.

Se repararmos todos nós funcionamos muitas vezes em modo quase automático, e por isso gosto de pensar em como é saudável trabalhar para fortalecer uma confiança mais ativa nos nossos semelhantes.

Confiar em alguém é como oferecer ao outro o que de mais sensível e precioso possuímos, o nosso coração, quem confia não questiona, este bem que designamos por confiança é um imenso valor, uma riqueza que deve ser presenteada ao próximo com muita atenção e cuidado, para evitar desilusões e deceções.

Com o tempo acabamos por perceber que se demostrarmos aos que quem nos rodeiam que são confiáveis, cada vez mais estas pessoas terão atitudes e posturas alinhadas com esse pensamento.

A confiança alimenta-se da simplicidade das atitudes e sobretudo da honestidade da nossa postura, não é difícil perceber se podemos ou não confiar, a forma de ser e de estar de cada um mostra, ainda que muitas vezes inadvertidamente, se estamos em presença de alguém digno da nossa confiança.

 

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