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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

30
Jan19

A multidão das minhas emoções


Ana Paula Marques

A multidão das minhas emoções

“É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.”

(Cesare Pavese)

A possibilidade de verbalizar o que nos vai na alma por via da escrita, deixando que da nossa mente se desfiem os pensamentos, que pelas pontas dos dedos se transformam em palavras, e que se transferem para a folha de papel em branco, é a magia a acontecer.

Escrever é permitir que as palavras e emoções que afloram do nosso pensamento se transformem em vida nova, em histórias fantásticas ou aventuras maravilhosas.

Mas a escrita pode também ser utilizada para comunicar com o mundo, de modo a permitir que o fio de palavras que refletem o que nos vai na alma e no coração, simplesmente promova momentos de partilha, e de harmonia com quem lê as nossas palavras.

Vivemos num mundo excessivamente violento e acelerado, temos necessidade de encontrar espaço para a paz nas nossas vidas, permitir-nos momentos de reflexão e de tranquilidade, onde simplesmente estamos, sem mais nem porquê…

Quer se escrevam textos que nos entretém, ou que nos ensinam, que ajudem a refletir ou a ver determinados temas sob outra perspectiva, ou mesmo artigos humorísticos que permitem ver o lado mais lúdico da vida, a escrita transporta-nos e conduz quem nos lê a um patamar diferente, é quase uma realidade paralela.

Muitas vezes acontece-me escrever simplesmente na esperança de que o que componho seja lido por alguém, ou ainda melhor, que essa escrita acrescente valor a alguém, se isso acontecer, é um gosto que se realiza para quem aprecia escrever.

Porém, nem sempre podemos ou devemos escrever sobre o que nos vai na alma, por variadas razões, nomeadamente porque pode ser muito pessoal, pode ser desinteressante ou então, porque simplesmente não deve ser partilhado.

E escrever é em meu entendimento uma partilha de estados de alma, de experiências de vida, ou apenas pensamentos soltos, que se libertam como um balão deslaçado ao vento sem qualquer intencionalidade ou objetivo.

Há dias em que apetece virar tudo ao contrário, e dizer ao mundo tudo o que vai cá dentro, as revoltas, as angústias, os sofrimentos, as falsidades… sem um pingo de censura ou receio em transmitir o que vai no âmago do ser.

Mas depois penso, já todos temos tantas cargas negativas que nos assolam, tantas preocupações e problemas que nos afastam da beleza da vida, então que aquilo que eu escrevo e partilho com o universo sirva no mínimo, para que quem me lê, pelo menos durante uns breves instantes se abstraia, e consiga estar em harmoniosa sintonia comigo e com o que eu escrevi, num espaço apenas nosso.

O ato de escrever pode ainda ser um ato solitário, em que escrevo apenas para mim, quase em modo de introspeção, registando o que acontece no íntimo do meu ser num momento de privacidade espiritual, que por vezes até permite ostracizar alguns fantasmas, que teimam em permanecer por perto, ensombrando os nossos dias e dificultando a possibilidade de termos uma existência completamente feliz.

Escrever é também brincar com as palavras, e promover enredos em torno do espirito do bem, e de uma tranquilidade que permita uma existência pura, potenciada por uma energia luminosa que propague o ânimo na humanidade, e na ideia de que ainda é possível fazer melhor.

Deixemos que o sol brilhe nas nossas vidas, ilumine os nossos dias e que ternamente continue a ser a luz do universo.

 

 

 

 

 

21
Jan19

Mais Humanidade... Menos Tecnologia!


Ana Paula Marques

http://reportersombra.com/mais-humanidade-e-menos-tecnologia/AM_ofuturo_destaque.jpg

Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade” (Albert Einstein)

Enquanto seres humanos, vivemos sempre com os olhos e com o espírito virados para o futuro, para a frente, para tudo o que é novo e que está ainda por acontecer.

Diria mesmo que somos tão expectantes e ansiosos em relação ao futuro que por vezes, nem vivemos realmente o presente, ou sequer o apreciamos.

Somos levados pela corrente que violentamente nos empurra para o que é novo e ainda não conhecemos.

Vivemos uma vida quase sem tempo para o presente, no fundo sem oportunidade para desfrutar e valorizar pequenas conquistas ou vitórias, de tal modo, que rapidamente esquecemos o quão difícil foi por vezes alcança-las.

Cada vez menos nos apercebemos da importância de valorizar o que se tem, e que por vezes tão difícil foi de alcançar.

Sempre à espera de descobrir o que de novo acontece no mundo, e quais as últimas novidades que são oferecidas quase ao momento, em tempo real.

É um facto incontornável que as novas tecnologias vieram aumentar e muito a nossa qualidade de vida, mas também contribuem ainda mais para a nossa ansiedade em face de tudo o que é novo, afastando-nos cada vez mais do que é naturalmente humano.

Hoje em dia vivemos para encontrar a próxima novidade, queremos sempre ser os primeiros a ter e/ou a conhecer essa inovação, na certeza de que o que hoje é novo, amanhã pouco ou nada interessa.

Tal e qual um documento que após ultrapassada a sua validade em termos administrativos, leva o despacho: ”Perdeu oportunidade – Arquive-se”.

É assim também connosco nos dias de hoje, neste universo que vive escravo das novas descobertas e inovações que a ciência nos oferece quase ao segundo.

Tudo é efémero e de muito curta duração. Queremos sempre mais, melhor e de preferência mais agradável, sempre mais…

Ouvi algures alguém afirmar que saber viver o momento presente, é conseguir colocar a mente onde o nosso corpo se encontra. Completamente de acordo.

Vivemos de expetativas que colocamos muitas vezes a nós próprios, e no fundo estamos continuamente atrás de uma imensa insatisfação que nunca resolvemos, sendo mesmo interminável, porque após termos algo pelo qual muito lutamos para conseguir, perdemos o interesse, porque neste momento o meu desejo já parte noutra direção.

O ritmo de vida que temos não nos permite viver realmente o presente, entre o sofrimento ou a felicidade deste momento e o sufoco do que poderá estar para vir... Passamos o nosso tempo sempre na expetativa de qualquer facto que está para ocorrer.

É tão simples ser feliz, mas o mundo condiciona-nos e transforma algo simples e fácil, em qualquer coisa quase impossível de alcançar.

Esta assumida necessidade de estar a par de todas as novidades, condiciona-nos e é quase como se nos tivessem mudado o chip, de repente não “é bem" ser-se simples. O que se valoriza e significa “estar in” para a sociedade, é justamente estar “up date” com tudo o que é novidade.

E quer queiramos quer não, há uma necessidade quase impercetível que temos em seguir tudo o que é novo, admito que existam alguns resistentes, mas a esmagadora maioria sofre deste mal, esta necessidade que condiciona enormemente as nossas vidas.

De que modo nos condiciona? Em variadíssimos níveis e situações. Deixamos por vezes de ser verdadeiramente nós próprios, porque sabemos bem que não integrar o grupo dos “seguidores" de tudo o que é novo é o mesmo que estar quase out da sociedade, diria mesmo ser praticamente info excluído.

Quase os consigo ouvir: “Temos que estar sempre em linha com a novidade, caso contrário não acompanhamos o resto do mundo e a sua evolução".

Mas qual mundo pergunto eu? Aquele que esqueceu a importância de uma conversa cara a cara, aquele que já não conhece o aconchego de um abraço, ou de um “colinho” doce e quente que nos alivia o coração e aquece a alma, de tal modo, que nos permite ver a vida e os outros de forma completamente diferente.

A atração pela novidade e por tudo o que se produz na área das novas tecnologias, afasta-nos cada vez mais uns dos outros, condicionam as nossas escolhas e limitam imenso as nossas ações.

Eu diria mais, já quase não nos conhecemos enquanto seres humanos, pessoas que tem sentimentos, que choram ou que se sentem felizes ou tristes pelo que lhes acontece na vida, no fundo, as novas tecnologias provocam-nos amnésia sobre o que é se humano…

Aliás, atrevo-me mesmo a dizer que todas estas inovações afastam de nós as emoções e sentimentos que nos distinguem dos restantes seres vivos, queremos tanto avançar tecnologicamente e aprender novas coisas e a viver sempre “em cima da onda”… conhecendo novos aparelhos e sistemas eletrónicos que supostamente são criados para nos facilitar a vida, não será que facilitam mesmo?

Não creio, o que sei é que percebo que cada vez mais nos desligamos daqueles que como nós são de carne e osso e não possuem um botão que os desliga e/ou liga consoante a vontade do seu utilizador.

16
Jan19

O Sonho e a Vida


Ana Paula Marques

A possibilidade de realizarmos um sonho.jpg

 

A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” (Paulo Coelho)

Porque o sonho comanda a vida, o que seria de nós se não fossem os nossos sonhos? Afinal, não é o sonho o grande responsável pelo sorriso nos nossos lábios e o brilho no nosso olhar?

Tudo na vida só é impossível até acontecer, se nos deixarmos conduzir pelo caminho mágico que os sonhos delineiam na nossa vida, então, o céu será o limite…

 Todos os dias ouvimos alguém dizer, eu sempre acreditei que seria capaz, eu sempre achei que o meu dia iria chegar, eu lutei tanto por este dia… Aqueles que acreditam nos seus sonhos e que lutam por aquilo em que acreditam são os que veem os seus sonhos nascer e transformar-se em realidade e, quando isto acontece, aquilo que era um ideal deixa de ser um sonho, para ser algo adquirido e concretizado. Consequentemente, deixou de ser objetivo e é, portanto, mais uma meta alcançada.

 No entanto, se me é permitido, importa e muito, valorizar os objetivos concretizados, porque estes não são, nem mais nem menos, do que um sonho que um dia estava muito longe de se materializar e que hoje faz parte do que é a nossa realidade quotidiana.

 É aquilo a que chamo ir atrás do prejuízo, lutar para que aconteça. Em suma, transformar a nossa vida na realização de todos os nossos sonhos, sem medos, e, sobretudo, que consigamos perceber ao olhar para trás no nosso percurso de vida, que valeu a pena. Valeram a pena todas as quedas, todos os percalços por que tivemos que passar, todas as armadilhas que a vida nos preparou ao longo do caminho e que não nos tendo matado, com certeza nos fizeram mais fortes.

É fácil pensar que o sonho nos tornará mais capazes e até mais audazes, apenas porque acreditamos que amanhã será melhor, mas acreditar nisto significa que eu sou capaz de o fazer, porque permito que se realize em mim esta mudança, porque a transformação do mundo está em mim. Acreditar que o mundo pode ser melhor é um sonho que pode ser possível, se eu acreditar, mas, sobretudo, tenho que ser o primeiro a promover esta mudança dentro de mim.

Se entendermos a educação como um meio fundamental para que hábitos, costumes e comportamentos de uma sociedade sejam passados de geração em geração, de acordo com a evolução da sociedade como um todo, é muito importante que consigamos passar estes valores e convicções em que acreditamos a quem vem atrás de nós. A vida é uma passagem, não apenas para nós enquanto seres, mas é também uma passagem de conhecimentos e experiências de vida para os nossos descendentes, ou até mesmo para quem está ao nosso lado.

Importa perceber e mantermos com as nossas crianças alguns dos costumes saudáveis que nos passaram a nós. Sendo a vida feita de correrias e de stresses, que nos enchem a vida e os dias, temos que parar um pouco e brincar, olhar cara a cara, falar de viva voz e, sobretudo, abraçar. O toque é cada vez mais esquecido e é tão importante perceber que alguém se preocupa connosco, ainda que ao de leve nos toque no braço, num gesto de conforto e de carinho.

Honestamente, por vezes acho que a vida passa tão rápido por nós, ou nós pela vida que nos esquecemos de que é muito importante não deixar ao acaso esta passagem de testemunho para a próximas gerações. Mais do que tradições e costumes, importa contar estórias, rabulas, passar o que nos foi doado por quem veio antes de nós, mas passá-la olhos nos olhos e não nos deixarmos envolver neste universo tecnologicamente tão avançado em que o que ontem estava no auge, hoje já foi ultrapassado por uma outra inovação tecnológica que o mundo descobriu. E, sobretudo, passar às crianças deste século XXI a importância do sonho, do estar presente, não esquecer que somos humanos e não máquinas, que temos emoções e sentimentos e que nos preocupamos, especialmente é importante não deixar que as tecnologias tomem conta de nós e das nossas vidas.

Difícil? Com certeza, mas a vida não é fácil, nem é feita apenas de felizes acontecimentos e de bons momentos. Por isso é que se chama vida, é uma dádiva que nos permite ser felizes por opção e arrancar deste universo apenas o que nos faz bem à alma, o que nos torna o respirar mais doce, o olhar mais brilhante, o andar mais ligeiro e a voz mais feliz!

 

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