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Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

Pensamentos.ao.vento

Assumo sem qualquer tipo de pudor o gosto imenso que tenho pela escrita, e pelo ato de escrever palavra após palavra... na construção de momentos de reflexão e procurando embelezar os nossos dias!

28
Mai22

O gosto de tomar um bom café, é indescritível!


Ana Paula Marques

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O gosto de tomar um bom café, é indescritível! Sou absolutamente fã.

E hoje decidi aproveitar a minha companhia e tomar um delicioso café ao som dos meus pensamentos e na companhia da minha pessoa. Foi tempo de conversar comigo, de me perder nas reflexões e filosofias de vida em que gosto de me dispersar, e para as quais nem sempre tenho companhia, nem tempo.

Perdi-me nos pensamentos de toda uma vida cheia de altos e baixos, de sorrisos e de lágrimas, e parei para pensar no sabor dos bons momentos que nem sempre soube aproveitar, no calor dos abraços, tantos que recebi de verdadeiros amigos. A felicidade destes momentos enche a alma a qualquer ser humano.

E esta almofada de ar puro que nos regenera por dentro fez-me tão bem. Saboroso o meu café. Em volta a paisagem era citadina sem grande graça, mas suficientemente tranquilizadora a ponto de me deixar em paz.

A paz que sempre procuro nos momentos em que estou sozinha, e que gosto tanto de aproveitar, não para me sentir solitária, mas para conversar um pouco comigo própria, e são momentos que me fazem falta. No fundo, sentir mais a minha presença.

Muitos dias há em que passo por mim sem me ver, tal é a pressa e o ritmo a que os meus dias correm, sem tempo para respirar calmamente, porque a vida não se compadece com tal.

E hoje parei para tomar um café comigo própria, ter uns minutos em que o sabor do café que desce pela minha garganta é intenso e saboroso, não muito quente, porque não o aprecio assim, mas na temperatura média que tanto gosto me dá ao tomá-lo.

Gostei deste momento que não sendo solitário, foi intenso, avaliei os últimos dias, antecipei um pouco os que se aproximam, no fundo tirei uns minutos apenas para mim, e para o meu café.

E soube-me tão bem este breve momento, tenho que repetir. Acho que vou mesmo colocar na agenda para que possa acontecer com maior frequência, e não volte a levar tanto tempo até ter uns minutos para estar um pouco comigo, sem mais ninguém à volta.

06
Mai22

Saudade...ahh a saudade!


Ana Paula Marques

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Perco-me num horizonte que não conheço, mas que sei que me espera, mais ao fundo na vida.

Receio não encontrar o que quero, mas acredito que faço diferente todos os dias, marcando pela diversidade a vida das pessoas por quem passo, e com quem convivo, no entanto, resta-me a saudade.

A saudade dos que saíram da minha vida e me deixaram um pouco de si, ou muito das suas experiências, dos seus conselhos, da sua vida, enfim!

Deixaram-me o ensinamento da sua vivência que tanto me enriqueceu.

As lágrimas que juntos chorámos, os caminhos que fizemos e voltámos a fazer uma vez e outra, e sobretudo as histórias, carinhos e momentos que passamos em pleno estado de amizade, são tantas que não as conto.

Nada a fazer, sou assim mesmo, uma perfeita sentimental, que guarda no coração tudo o que de bom a vida lhe trouxe, incluindo as pessoas que já não estão presentes, pelas mais variadas razões, mas que continuam a fazer-se sentir.

Não guardo tristezas, nem rancores, nem mágoa, no meu coração existe espaço apenas para emoções e sentimentos bons. As amarguras e energias negativas vividas, essas ficaram perdidas num tempo que nunca quis que existisse, mas que fez parte do caminho.

Mas falava de saudade, a palavra mais portuguesa de todas, aquela que me traz um sorriso à boca e um morno e terno aconchego ao coração, ahhh a saudade… seria capaz de viver o resto dos meus dias abrigada no conforto dos momentos, e na saudade do meu tempo já passado.

Mas não posso… não me é permitido, afinal há ainda uma vida para viver, há que construir novos momentos e viver novas histórias que permitirão mais tarde ter mais um conjunto de boas memórias das quais virei também a seu tempo, a ter saudades. E voltarei a viver de novo esses momentos, porque quem constrói boas memórias tem a oportunidade de viver duas vezes o mesmo momento, o vivido e o que se recorda. Assim dizem os entendidos.

A vida de facto é muito interessante e recebemos sempre o que vamos semeando, nem sempre na proporção nem no momento que consideramos ser o adequando, mas quando o universo decide, afinal, tudo o que há-de ser nosso, à nossa mão vem ter.

E por isso na linha do horizonte que agora vislumbro, apenas um desejo e um pensamento, que a vida nos permita a plenitude das realizações a que estamos dispostos.

Ser afinal alguém que deixa a sua marca, ainda que indelével, no coração, daqueles com quem se cruza ao longo da passagem pela vida.

Prefiro aqui lembrar os que me amaram e que amei, terão sido os que verdadeiramente me conheceram?

Não faço ideia. Foram com certeza os que melhor me compreenderam e se deixaram ver e me viram através dos olhos da Alma!

Sejamos felizes enquanto por cá andamos, afinal tudo isto é uma passagem!

16
Fev22

Um dia olhei-me no espelho ...


Ana Paula Marques

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Um dia olhei o espelho e não entendi se observava alguém, ou se estava apenas a ser observada. Fiquei-me … e tentei perceber se havia relevância nesta dúvida, não sei se reconhecia a pessoa refletida no espelho, seria importante que reconhecesse? Honestamente, não sei!

Porventura poderia até nem ser um espelho e ser apenas uma janela, por onde alguém espreitava, e coincidentemente, eu também passava em simultâneo no mesmo local.

Seria isso? Nem sei bem. Estanquei junto ao espelho, sem pressa do tempo que se esvai por entre cada segundo que já não volta, e se dissipa nas nossas memórias, deixei-me apenas ficar.

Fiquei simplesmente ali, a tentar perceber se observava ou se estaria a ser observada. Afinal esta é uma das bitolas da vida, ou observamos ou somos notados, raras vezes conseguimos passar por entre os outros, como ilustres desconhecidos, ou sem nos fazer notar.

Há sempre alguém que “nos tira as medidas” como se costuma dizer, alguém mais atento na fila do autocarro, ou no supermercado, na rua, ou em qualquer outro lugar, que sem nenhum motivo aparente, repara em nós.

Mas voltemos ao espelho. Aquele que me prendeu a atenção, e por momentos me reteve apenas para si e me dispersou em assuntos que nada relevam para a humanidade, nem para a minha vida.

O espelho é aquele fiel amigo por quem passamos pelo menos uma vez por dia, seguramente muitas mais, acabando por nem perceber que o fazemos.

No entanto, de manhã é fatal como o destino que nos cruzemos com ele, a minha questão é outra, reparamos de facto na imagem que se reflete no espelho quando estamos em frente a ele?

Respondo por mim, muito honestamente, às vezes sim, outras nem por isso, a maior parte das vezes não. Passar em frente ao espelho é um ato tão inerente às nossas rotinas diárias, que acabamos por fazê-lo instintivamente, sem o perceber, de modo quase inconsciente.

Por isso não percebi quem era a pessoa com quem me cruzei há pouco no espelho, seria eu?

Muito provavelmente, até porque na minha frente não havia janelas. Refletia-se naquele espelho a minha imagem para o mundo, aquele reflexo era apenas o que cada um dos que se cruzam comigo veem. Mas seria verdadeiramente eu?

A imagem que agora me prendia a atenção é a que todos conhecem, mas que a mim pouco me diz, porque sinto ser muito mais do que esta imagem, e este ser mais que refiro não é o meu egocentrismo a falar, é mesmo ter a clara certeza de que somos muito mais do que apenas o que refletimos para os outros.

E é nestes aspetos que sinto ser mais do que apenas uma imagem, um reflexo na sociedade, sem desvalorizar o aspeto visual, sabemos bem a relevância cada vez maior que este aspeto tem na sociedade, mas somos de facto muito mais do que imagem.

Somos sobretudo o que fazemos a quem e quando precisam de nós, e não temos que divulgar, fazer sem que se publicite, afinal o homem vale muito mais pelas suas ações e atitudes do que pelo que pelo seu discurso ou aspeto.

Somos uma sociedade de aparências que precisa de aprender a viver mais e melhor os seus valores, a integridade e a generosidade humana, que estão em cada um de nós, mas que, em alguns mais do que noutros, ainda precisam de ser lapidados.

10
Jan22

Na incerteza dos teus passos


Ana Paula Marques

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Na incerteza dos teus passos, encontro o desalento no meu caminho.

Já não és quem procuro, nem sei se te quero pertencer, ou até mesmo perceber. Perdemo-nos no caminho, e a vida encarregou-se de desenhar o seu percurso, não tão próximo um do outro, como desejaríamos.

Nos breves sussurros que o desalento espalha pelo meu ser, encontro o silêncio que me atenta, e que me afasta daquele que sempre pensei ser o caminho certo.

Mas, haverá caminhos certos? Ou seremos nós que o percorremos que lhe atribuímos a conotação certa ou errada, definindo o que deveria ser o percurso ideal, o caminho perfeito.

Quando tudo perde sentido, até a natureza perde o seu cheiro natural e a nossa vida o aroma do seu encanto. Nos dias cinzentos, que não inspiram nem se desejam, tudo parece vazio e oco.

A lembrança dos momentos em que fomos felizes trazem de novo à mente e ao coração, breves laivos de felicidade, a memória dá brilho a uma luz que já não existe.

Mas quero muito continuar, à semelhança de cada novo dia que amanhece e que ao fim do seu tempo, mansamente, cede o seu lugar a mais uma noite, assim também na nossa vida, cada etapa se supera e ultrapassa.

Perco-me no silêncio dos meus pensamentos, que me embrenham numa nuvem de bem me querer e de alegrias que não existem, mas que eu quero fazer acontecer.

Esta nuvem que me envolve carrega consigo a alegria e a paz, de que preciso, de que precisamos todos, para que pé ante pé, e dia após dia, façamos acontecer aquilo em que acreditamos. Transformar sonhos em realidades e possibilidades ou sonhos em realidade.

Afinal, uma boa dose de confiança, e algumas boas promessas nunca fizeram mal a nenhum de nós.

Fazer acontecer todos os dias é a magia da vida.

O meu sorriso confere encanto a cada novo dia da minha vida. A coragem e força alicerçam o apoio fundamental, para continuar a acreditar que nada é impossível até acontecer.

“Disseram-me que para quem sonha alto a queda é grande. Só que se esqueceram de me perguntar se eu tenho medo de cair.” (Bob Marley)

06
Jan22

Sobre o que não se entende, não há forma de perceber!


Ana Paula Marques

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Devia ser proibido um pai/mãe conhecer a morte do seu filho.

Por muito que se possa considerar ou até mesmo afirmar, que se entende esta imensa dor associada a tamanha perda, não acredito que de facto alguém a consiga sentir, a menos que tenha passado por situação semelhante.

Uma destas semanas que passou foi particularmente ingrata por ter tido conhecimento de duas situações, quase simultâneas, ainda que em circunstâncias bem distintas e geograficamente afastados os acontecimentos.

Eram, contudo, uns meninos que partiram prematuramente, 17 e 18 anos, demasiado novos para abandonar este mundo.

Uma dor gigante de certeza a que assola o coração daquelas famílias, que não tiveram oportunidade de ver os seus meninos transformar-se em mulher e homem respetivamente.

Pessoa de fé que sou, tenho, confesso, alguma (muita) dificuldade em perceber por que razão estas coisas acontecem. São apenas crianças a quem foi apontada uma vida, quem sabe até fantástica, ou não. Mas que afinal não a podem viver, foi-lhes retirada essa oportunidade. Não entendo.

Haverá uma razão para que este tipo de situação aconteça?

Não consigo perspetivar qual será o motivo por que as pessoas nascem para morrer tão cedo, sem a oportunidade de fazer um caminho, construir uma história, afinal viver uma vida, foi para isso que supostamente vieram ao mundo.

Tiveram estes meninos com certeza a oportunidade de fazer história na vida e no coração daqueles que de perto com eles conviveram, aqueles que os amaram pelas pessoas que eram, os jovens promissores que com certeza se perspetiva viessem a ser. Família e amigos estão agora de luto pela perda.

Mas não mandamos nada nesta vida, nem na nossa nem na dos nossos filhos, ainda assim nos consideramos superes. Nada podemos fazer nestes momentos, aliás, podemos aceitar, é a única coisa que se pode pedir a um pai ou uma mãe que perde o seu/sua filho/a em tão tenra idade.

Afinal o poder que julgamos ter sobre as nossas vidas traduz-se nestas alturas em resignação, em impotência e em completa incapacidade de fazer o que quer que seja.

Uma palavra de conforto para quem algum dia já passou por este tormento, eu diria quase que deve ser uma morte em vida, nada voltará jamais a ser o que era antes de um acontecimento desta natureza.

Como ouvi alguém um dia dizer, temos que aceitar porque custa menos, afinal a despedida é um momento de tristeza, em que corações se preparam para viver uma saudade.

02
Jan22

Sobre o tema da Fé...


Ana Paula Marques

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Sempre que se fala de fé está garantida a discussão.

É um tema sobre o qual habitualmente não gosto de conversar, nem entre amigos nem socialmente, justamente porque considero que a fé é um assunto de foro íntimo e por isso não se contesta. Pelo que, não se esgrimem argumentos sobre algo que não se explica, não se comprova, apenas se sente.

À semelhança do amor, a fé é um desígnio não científico tem a ver com o que somos e com o entendimento que possuímos da vida e da existência humana. Falamos de sentimentos, emoções e formas de viver e sentir a vida, que não se explicam, experimentam-se (ou não).

Bem sabemos que nem tudo na vida pode ser explicado de forma matemática, científica ou mesmo racional. O que importa aqui é que se reitere o respeito que é necessário existir entre as pessoas, afinal somos todos seres capacitados de competências físicas e psíquicas, e não é razoável estar a fazer sequer juízos de valor.

Respeito, é sem dúvida a palavra de ordem, neste e em qualquer tema, o respeito pelo outro deve ser a primeira condicionante nos relacionamentos humanos.

Porque a Fé pode ser de variadas índoles, há a principal, ou aquela em que todos pensam quando se fala de Fé, que é fé religiosa e à conta da qual ainda se fazem e produziram na história da humanidade, as maiores atrocidades a pessoas inocentes, que não tem qualquer culpa da maldade alheia, e que acabam por ser as maiores vítimas de energúmenos que usam a Fé como recurso para justificar a sua malvadez e crueldade.

Se pensarmos no significado da palavra a Fé percebemos que tem associada a si a segurança, crença, confiança, afinal falamos de um sentimento de absoluto credo em algo ou alguém, sem ser necessário nenhum tipo de evidência que testemunhe a sua veracidade.

Diz-nos a Wikipédia que a (do Latim fide) é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.

Em suma, ter fé é acreditar absolutamente em algo ou alguém, sem ter na sua posse nenhuma prova de que seja verdadeiro ou real o objeto da sua crença. Resulta do termo que vem do grego pi.stis, traduzido por confiança ou firme convencimento.

As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas ou tocadas. Elas devem ser sentidas com o coração. (Helen Keller)

Ter Fé em meu entendimento é justamente Acreditar, e ver o universo em volta com os olhos do coração, aqueles que não percebem a maldade em volta e apenas acreditam que todos são puros de coração.

Poderemos acreditar, e ter Fé de que afinal podemos fazer e ser diferentes? Será que temos que provar isto cientificamente? Ou será que não existe porque não é matematicamente explicável, esta coisa de se ter Fé na humanidade, e no seu bom rumo?

30
Jun21

Solidariedade... o desejo de ir em direção ao outro!


Ana Paula Marques

Artigo n.º 9.jfif

Quando pensamos um pouco sobre a nossa origem enquanto seres humanos, nada é límpido nem linear. Há, contudo, uma questão que é transversal a todos os seres humanos e, ao longo da história, que é a solidariedade. De uma forma ou de outra, de um modo mais genuíno ou nem por isso, já todos fomos solidários ao longo da nossa vida.

Se fizermos uma breve resenha histórica e de acordo com a Wikipédia “Humano é um termo que deriva do latim "homem sábio", ser humano, ser pessoa, gente ou homem, é a única espécie animal de primata bípede do género Homo ainda viva.

Acompanhando esta definição, em termos de síntese histórica poderemos perceber que, daqui pode advir de algum modo a nossa consciência social, apesar de por vezes parecer abandonar-nos enquanto seres humanos, porventura a característica solidária que há em nós terá a sua génese neste conceito, mantendo presente na nossa mente a relevância da solidariedade na existência humana.

Porque afinal, se recordarmos o que aprendemos sobre a formação da raça humana, a humanidade desde sempre se habituou a colaborar entre si, na luta pela sobrevivência, através da caça e da pesca, aprendendo a defender-se a si e aos seus, na luta por uma vida melhor, e assim, apesar do instinto de sobrevivência, a solidariedade foi sempre uma característica que acompanhou o ser humano.

Ainda de acordo com a Wikipédia em temos históricos, a espécie humana “surgiu há cerca de 350 mil anos na região leste da África e adquiriu o comportamento moderno há cerca de 50 mil anos. Entretanto, evidências arqueológicas publicadas em 2017 sugerem que a humanidade pode ter se espalhado por todo o continente africano ainda antes, há cerca de 300 mil anos.”

É por isso muito interessante perceber, de acordo com alguns investigadores desta temática, que nós enquanto elementos desta espécie humana, somos possuidores de um cérebro muitíssimo expandido, possuidor de inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, ou a linguagem, a introspeção e a resolução de problemas complexos. E consequentemente teremos desenvolvidas outras capacidades humanas que nos distinguem, mas que também nos enriquecem enquanto seres humanos.

Afinal, milhões de anos depois, continuamos a colaborar e a manter o espírito de união entre a humanidade, naturalmente salvo algumas exceções. É verdade que talvez não o façamos todos os dias, mas por natureza somos solidários.

Há mesmo quem defenda que esta é uma das nossas melhores características enquanto espécie humana.

A questão que se coloca pode ser a do porquê, por que sentirmos a necessidade de colaborar? O que nos impele a cooperar com os outros? Eu diria que, por vezes é quase indissociável de nós, quase faz parte do ser humano esta faculdade/habilidade que todos temos, ainda que alguns a tenham mais desenvolvida do que outros.

“O desejo de ir em direção ao outro, de se comunicar com ele, ajudá-lo de forma eficiente, faz nascer em nós uma imensa energia e uma grande alegria, sem nenhuma sensação de cansaço.” (Dalai Lama)

Os motivos e as razões por que ajudamos, esses já podem ser variados e discutidos, mas aqui gostava apenas de equacionar ou considerar a boa vontade que existe neste espírito colaborativo, que nos distingue dos restantes habitantes do Planeta, por isso seremos racionais? Ou será que a racionalidade nada tem a ver com a solidariedade?

Eu diria que sim, que a racionalidade nos ajuda a perceber que enquanto sociedade, e consequentemente enquanto indivíduos temos todos muito mais a ganhar, e a evoluir se formos solidários.

A solidariedade pode ser uma das nossas maiores virtudes enquanto seres humanos, de preferência a solidariedade autêntica, a que se pratica sem causar grande alarido, na sombra dos gestos que se escondem na nossa generosidade humana.

Afinal:

“Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos.” (Antoine de Saint-Exupéry)

01
Jun21

Nascemos, vivemos por um momento breve, e morremos!


Ana Paula Marques

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Tem sido assim há muito tempo. A tecnologia não está a mudar este cenário.

- Steve Jobs

O Universo como o conhecemos ligado em rede, resulta da integração económica e cultural que tem vindo a acontecer entre os países ao longo dos últimos anos, dando lugar ao que designamos por globalização, que por seu lado se transformou no motor que promove uma sociedade cada vez mais dependente da tecnologia para o seu subsequente progresso.

Neste globo ligado em rede, claramente a tecnologia eliminou barreiras, quer sejam as que delimitam as fronteiras dos países, as que dividem os povos e culturas ou até mesmo aquelas que são motivadas pela distância física entre as pessoas. Mais do que nunca, a comunicação em rede que procede do desenvolvimento desta tecnologia mostra-se sem falsos moralismos.

Este universo permite que as ligações comerciais, pessoais e até sociais aconteçam quase à velocidade da luz, sem barreiras que as impeçam, basta para tanto que se tenha uma ligação à rede WI-FI ou mesmo por cabo, em suma, basta ligarmo-nos à internet e estamos interligados com o mundo, para o bem e para o mal.

Sabemos bem que o uso da rede comunicacional digital à qual podemos recorrer sempre que quisermos, dado que está sempre ao nosso dispor, nem por isso é factor motivador da uma melhoria da condição social da humanidade em geral. Não existe equivalência de oportunidades para todos os habitantes do planeta, já que este mundo globalizado em que vivemos é mais globalizado para uns do que para outros. Nem todos acedem da mesma forma nem com a mesma intensidade a esta realidade que nos parece a nós tão natural.

Podemos mesmo perguntar se este suprimir de barreiras não vem também retirar outras, nomeadamente as do bom senso, da liberdade de expressão e até do tratamento mais cordial entre as pessoas.

Esta é a geração que continua a acreditar que mais importante do que aquilo se assevera, é ter uma opinião formada sobre todo e qualquer assunto – seja desporto, politica ou até mesmo religião e então se for direitos dos animais, vem toda uma panóplia de “comentadores” em defesa sabe Deus do quê, mas o que importa é “saltar” para a rede e lançar ataques em todas as frentes, nomeadamente a quem se atrever a criticar o que quer que seja, não sendo a contento da opinião emitida.

E viva a democracia! Ou devo dizer “Viva a anarquia”?

A ética tem vindo a perder valor no mundo digital, ninguém já se questiona se fazer isto ou aquilo é ético ou não. O que se quer é fazer valer a opinião ou mesmo vender qualquer produto ou artigo. Sempre com o foco no fim, no objetivo, pouco importam os meios, ou mesmo quem ficou pelo caminho para que determinado objetivo seja alcançado.

No cosmos em rede, poucos se preocupam com a ética. Em abono da verdade, a ética ou a falta dela é ditada por quem a utiliza a seu belo contento e a adapta de acordo com os seus interesses.

O princípio ético fundamental deverá sempre assentar no pressuposto de que a pessoa e a comunidade em que ela se insere é sempre a finalidade e a medida a ser usada pelos meios de comunicação, que funcionam em rede, apenas assim a comunicação de pessoa para pessoa pode promover na íntegra o desenvolvimento dos sujeitos.

Necessariamente todos sabem que o bem de cada pessoa depende do bem comum da comunidade em que se insere, pelo que um dos aspetos basilares em que a ética da comunicação em rede deverá assentar será a forma inclusiva em que uma série de propostas são colocadas aos elementos da respetiva comunidade, havendo o entendimento conjunto da mesma em defender e levar a efeito as referidas propostas.

Porém, como todos sabemos, no universo em rede, tudo é apresentado, discutido e decidido rapidamente em face da velocidade a que tudo acontece neste domínio, por vezes não há o tempo suficiente para pensar em detalhes, ou maturar aspetos como por exemplo, a questão da ética.

É certo que a famosa globalização que transformou o nosso mundo, também promoveu para muitos a permanência na margem do caminho da mesma globalização, longe do progresso e de todas as inevitáveis melhorias que trouxe consigo.

Afinal, a Internet e o mundo em rede podem ser um motor fundamental para o crescimento intelectual da população promovendo até uma eventual compreensão entre as diferentes nações e povos do mundo.

Importa não descuidar a privacidade dos sujeitos e dos grupos que frequentam o mundo em rede, acautelando a inevitável divisão digital entre pessoas separadas por ideologias políticas, raciais ou até étnicas.

Este instrumento com um tão grande potencial como é a internet seria suposto servir de união entre as pessoas, e não permitir que se transformasse o mundo online num cenário de verdadeiro conflito internacional, como por vezes acontece.

Seria quase perfeito este universo digital em que nos entranhamos todos os dias se a ética neste contexto permitisse que as tecnologias fossem solucionadoras ou facilitadoras da resolução dos problemas humanos, num mundo orientado para a justiça, para o bem do próximo ou mesmo para o real progresso de todos!

21
Abr21

Amar é admirar com o coração


Ana Paula Marques

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O tema do amor aparece na nossa sociedade como um tópico quase banal, e fala-se de um sentimento tão imenso como o amor, como se fala de qualquer assunto quase reles e sem importância.

Amar é muito mais do que qualquer palavra que se possa dizer, ou escrever... Amar é sentir a pele do outro como sendo a nossa própria, é mesmo um confundir de respirações que se fazem em conjunto.

Como diria Theophile Gautier:

Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro”.

Esta é uma dicotomia que não é fácil de se conseguir, e porventura não está ao alcance de qualquer pessoa.

Amar é uma bênção que é conferida apenas a alguns, nem todos têm essa magnitude de sentimento, de emoção. Não ama quem quer, nem se ama quem nos interessa.

O coração nestas coisas do amor é completamente autónomo e independente, e não nos pede opinião, nem se questiona sobre se é melhor ou pior para nós amar esta ou aquela pessoa.

Somos atingidos por uma suposta seta imaginária que nos inflama o coração e nos liga de um modo privado, e impensado a uma determinada pessoa, não escolhemos o amor, é o amor que nos escolhe a nós, e nos envolve nos laços das suas aventuras e desventuras que tornam a vida tão mais interessante e o mundo de repente tão menos importante.

A vida circunscreve-se e tudo entra num plano paralelo em que apenas nós existimos, e quase conseguimos imaginar um mundo ideal em que poderíamos ser felizes apenas nós e o nosso amor…

No entanto, amar é muito mais do que o querer estar perto, é aceitar a distância se for para realizar os sonhos do outro, sem queixumes nem lamentações. Amar alguém é aceitar que cresça e que viva os seus sonhos, porque se ele está feliz, eu que o amo também estou.

Esta tem que ser uma realidade sem falsidades nem hipocrisia, o amor é puro e verdadeiro, e tem que se sentir dentro do peito, que se entristece se o outro está triste e que bate mais forte e acelera de alegria se o outro está feliz e animado.

Mesmo que milhares de quilómetros os separem fisicamente, o coração jamais pára de saltitar sempre que pensamos no outro.

Amar é sentir-se feliz ao ouvir a simples expressão “está tudo bem”, é o estar presente na sintonia dos sonhos, que mesmo sendo diferentes, se fundem e confundem na harmonia do querer estar junto, e fazer euritmia e uniformidade, amor é união, sem egoísmos nem sentidos de posse, Amar é ser livre na atitude de ter o outro sempre connosco, sem nunca o possuir verdadeiramente.

O grande magnetismo da alma ensina-nos que o amor uno, se vive na diversidade do sentimento que cada um tem, sem estigmas nem escolhas.

12
Abr21

Pensamentos soltos, com sentido ou consentidos?


Ana Paula Marques

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Perdida num tempo que não tem horas, oscilo entre o antes e o depois, numa maré que me ondula por caminhos que não conheço, mas que também não me são estranhos.

Deixo que o tempo me guie por um trilho que pode ser tudo ou nada, pode ser vida ou a falta dela, há momentos em que é importante simplesmente deixar-nos ir, sem grandes questões ou duvidas, ir apenas por ir, sem razão e sem porquê.

A vida é demasiado dura, e séria para ser vivida sempre da mesma forma. Sufoco nas horas do dia que me submergem para o fundo de uma agonia que não tem explicação.

Sofro, porque sim e porque não, apenas por duas razões, mas são o suficiente para me desalentar e fazer perder o sorriso.

Cansada deste ritmo que apenas nos empurra para a frente, em que nos esquecemos de viver, e vamos simplesmente passando por entre os dias.

Cedo ou tarde vamos aprender que tudo passa, tudo menos o que é importante, porque o que é importante prevalece, na realidade ou na nossa memória.

O regresso aos dias da infância é por vezes o bálsamo tão necessário à continuidade de uma vida “saudável”, emocionalmente falando, escasseia o tempo, aquele do relógio que nos condiciona e oprime nas ações, porque nunca há tempo, porque não é possível, enfim, a culpa não é nossa é do tempo que escasseia.

Ou será que a culpa é efetivamente nossa? Há momentos em que paro um pouco a pensar naqueles que mudaram toda a sua vida para ser felizes, será que é preciso mudar tudo para ser feliz? Porque não podemos nós ser felizes com o que somos e temos? Que espécie é esta nossa raça humana, que nunca está contente com nada, e pouca coisa nos satisfaz?

O deambular dos pensamentos permite por vezes arrumar as ideias, e articular melhor o que fazer daqui a pouco, mas é precisa a disciplina, para que o façamos de uma forma realmente sã, que não nos deixe envolver pelos nossos múltiplos afazeres e consequentemente deles fazer uma desculpa para tudo e para nada.

Somos quem tem responsabilidade da nossa vida e com o que dela fazemos, é um dos melhores presentes que a idade nos confere, a serenidade de perceber quando devemos ou queremos ir ou fazer o que quer que seja. Perdidas no tempo, as inseguranças do que pode ser bem visto ou bem entendido, li algures que depois dos 40 as mulheres (pelo menos a maioria delas) começam a ter a maturidade de aceitar ou fazer apenas o que lhes dá mais gozo.

E é essa a aprendizagem que eu tenho que fazer, aprender a dividir espaços e áreas, emocionais, profissionais e até socias, no entanto, sem nunca esquecer o meu tempo e o meu espaço, para me ouvir, para estar apenas sozinha, no fundo para poder disfrutar da minha companhia. Se não estivermos bem connosco próprios nunca estaremos bem com os outros.

E acredito que esse é um dos grandes motivos da sociedade inquieta, egoísta e revoltada que temos, a falta de tempo e espaço, para que cada um se escute e se compreenda antes de mais, a si próprio apenas, depois disso estará preparado para a vida em sociedade.

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